A Sucessão Empresarial Familiar. Desafios e Oportunidades.

Holdings familiares, planejamento e gestão.

A causa da descontinuidade na maioria dos negócios familiares, geralmente está na falta de planejamento da sucessão. Pensar no futuro da empresa e na proteção patrimonial, estruturando um programa de sucessão, é um sinal de gestão responsável e madura.

O planejamento sucessório conduzido de forma equivocada, ou até mesmo a falta dele, poderá dilapidar o patrimônio construído durante gerações e além disso, romper laços societários e familiares de modo irreversível.

Segundo dados do Sebrae, 90% das empresas no Brasil possuem origem familiar, mas apenas 15% chegam na terceira geração e poucas possuem o plano estratégico de sucessão. É nesse ponto que nós entramos, conscientizando o gestor, desenvolvendo a governança e preparando a família para a continuidade dos negócios e a proteção patrimonial.

Negócios e relações familiares que se confundem e se contaminam

É comum que empresas familiares girem ao redor do fundador e ao longo dos anos os negócios cresçam desordenadamente, sem a preocupação de definir formalmente as regras de convívio e os acordos societários.

O bom andamento dos negócios e a expansão empreendedora podem fazer com que as relações nos ambientes familiar, empresarial e patrimonial se confundam e o planejamento sucessório seja negligenciado, ou colocado como algo a ser pensado futuramente.

Quando isso ocorre, todos assumem os riscos de um afastamento inesperado e indesejado do patriarca e, nessa situação, a empresa perde a referência e a família pode perder mais de um-terço do patrimônio.

Planejar a sucessão vai além de definir o futuro dos negócios, da gestão da empresa ou a divisão do patrimônio. Com ela, os pais asseguram para si os direitos vitalícios de usufruto daquilo que construíram, estabelecem regras, garantem a continuidade empresarial, evitam rupturas familiares e os elevadíssimos custos em caso de inventário e disputas judiciais intermináveis.

Um aumento dos impostos sobre herança está por vir

Devo alertar para o fato de que há mais de um projeto em tramitação no Congresso Nacional, visando aumentar os impostos sobre herança e os percentuais podem ultrapassar os 20%. Somados aos custos de ITCMD sobre o valor de mercado dos imóveis e despesas advocatícias, as empresas e as famílias podem ter muito mais dor de cabeça, no caso de um inventário não planejado. Imagine o impacto financeiro no caixa da empresa e da família que isso pode acarretar! 

Assim, é preciso difundir o conceito do planejamento, em vida, da sucessão empresarial e patrimonial. Na MA8 fazemos o processo completo, trazendo na bagagem décadas de experiência em gestão e integrando o planejamento da sucessão, a governança empresarial, as questões jurídicas e contábeis, para otimizar benefícios fiscais e evitar custos.

A condução do processo sucessório familiar

Integramos aspectos fundamentais e indissociáveis para planejarmos corretamente a sucessão. É preciso compreender o ambiente da família e sua dinâmica, identificar os sucessores, vocações individuais, questões emocionais, disputas veladas e principalmente, o momento de maturidade em que todos se encontram.

Olhando por esse prisma, a definição da estratégia para os negócios e para a gestão do patrimônio, seja constituindo holdings empresariais e familiares, profissionalizando a gestão e estabelecendo governança e conselhos, somente será bem-sucedida se a fase da compreensão da dinâmica familiar for bem executada. Por isso, há necessidade de integrar todo o processo, envolvendo em momentos adequados a nossa equipe de consultores de gestão, jurídica, contábil e, em alguns casos, até psicólogos e mentores.

A maturidade na sucessão e o pleno comando dos sucessores

O início do procedimento de sucessão empresarial familiar dá-se com a certeza que os sucedidos estarão preparados e maduros para esse momento.

No ambiente empresarial, a primeira pergunta a ser feita ao futuro sucedido é sobre o que ele fará, na sua vida pessoal, após o processo de sucessão. Caso tal cenário ainda não esteja claro em seus objetivos, as coisas precisam começar a partir desse ponto.

Na gestão empresarial, o sucedido que, em determinado momento não se desliga completamente do negócio, mesmo já tendo passado o bastão para um sucessor, pode tornar-se um empecilho para as mudanças necessárias no modelo de negócios, afinal, o mundo evolui rapidamente e um processo de sucessão implementado não é, por si, garantia de que a empresa continuará existindo com a mesma pujança daqui a alguns anos. Reavaliar o modelo de negócios não significa mudar o DNA da empresa e a forma como ela se relaciona com o mercado, mas adequá-la às novas exigências de competitividade e garantir o futuro dos próprios sucessores.

Como desenvolver o sucessor e quando saber que ele está preparado

É fundamental identificar se os herdeiros e potenciais sucessores possuem vocação e habilidade para assumirem futuros desafios e, na ausência de tal indicação, a profissionalização da gestão, com a formação de conselhos consultivo e familiar, deve ser considerada como alternativa necessária para assegurar o futuro e proteger o patrimônio.

O desenvolvimento dos sucessores familiares obedece a um procedimento regular que engloba formação técnica, psicológica e atitudinal. Pode levar anos para ser concluído e demandar a participação de consultor, mentor e psicólogo, mas principalmente, dos próprios familiares.

Quando a sucessão é comandada em vida pelo responsável, ganha-se tempo, os custos são drasticamente reduzidos e todo processo deve transcorrer de forma harmônica.

Por isso, como mencionei anteriormente, compreender a dinâmica familiar é uma etapa muito importante a ser vencida no início do planejamento sucessório.

Ao identificarmos o sucessor estabelecemos um plano de desenvolvimento individual, contendo a formação do herdeiro e o monitoramento periódico de um tutor, mentor ou conselho. Avaliar regularmente a evolução e os resultados, livres de emoções familiares, é atividade importante. A consultoria especializada retira e filtra os efeitos emocionais em todo o processo de sucessão empresarial familiar.

A hora de passar o bastão, seja na gestão dos negócios ou na sucessão patrimonial é, também, um conflito de ideias e um processo de aculturamento empresarial e familiar. Por isso, torna-se imprescindível a presença de uma consultoria especializada para integração do planejamento sucessório.

As HOLDINGS familiares e seus benefícios

No início identificamos as melhores alternativas para a continuidade da gestão, a proteção patrimonial e os benefícios financeiros.

Não menos importante é a estratégia direcionada para a segurança dos patriarcas e do patrimônio, por meio de usufruto vitalício na doação das cotas empresariais da holding aos herdeiros, gravada com cláusulas de incomunicabilidade, reversibilidade, impenhorabilidade e inalienabilidade.

Essa engenharia estratégica deve levar em consideração a natureza dos negócios da família, pois quando planejamos a sucessão para empresas no agronegócio, por exemplo, desenhamos um modelo de parceria empresarial entre o produtor rural (pessoa física) e a holding patrimonial rural, alcançando grandes benefícios fiscais e tributários na operação.

A constituição de holdings familiares é uma estratégia vantajosa e segura, desde que o planejamento inicial tenha sido feito corretamente. O patrimônio é integralizado na empresa e os familiares passam a ser detentores das cotas. O patriarca ou os pais planejam, então, a doação das cotas para seus herdeiros, mantendo o poder decisório e a livre administração dos bens sob seu controle.

O procedimento de subscrição e integralização transcorre regularmente, desde que a documentação dos imóveis esteja em ordem, possibilitando a transferência do patrimônio à pessoa jurídica, com custos bem menores, se comparados ao indesejável processo de inventário judicial.

Além da segurança patrimonial os benefícios fiscais e tributários são grandes, reduzindo taxas e impostos, seja na apuração dos resultados da empresa, seja na compra e venda planejada de imóveis ou na distribuição de resultados aos cotistas.

No ambiente de gestão e da governança, por meio de protocolos e acordos de acionistas, estipulamos as regras de convivência entre os sócios e asseguramos uma relação harmoniosa e frutífera, regulando direitos e deveres entre os sucessores, evitando conflitos futuros.

Conclusão

Um bom planejamento estratégico tem a obrigação de avaliar oportunidades e riscos. O planejamento sucessório é um procedimento complexo que visa facilitar, pacificar a sucessão e proteger estrategicamente o futuro do negócio e dos próprios sucessores. Aperfeiçoar a gestão e a governança será apenas uma etapa de um programa de sucessão empresarial bem-sucedido.

Quem quiser maiores detalhes poderá me contatar diretamente, por meio do endereço de e-mail:  merluzzi@ma8consulting.com

Orlando Merluzzi  – maio / 2019


 

Orlando Merluzzi é mentor e consultor de empresas, especializado em administração e gestão pela Universidade de São Paulo e sócio diretor da MA8 Management Consulting Group. Atua no mundo corporativo há mais de 30 anos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s