Conheça o projeto que fez da Coreia do Sul uma potência. EDUCAÇÃO.

Sou de um tempo em que o aluno se levantava quando o Professor entrava em sala de aula

O exemplo dado pela Coréia do Sul nos últimos quarenta anos precisa ser seguido por um país que deseja mudar seu status de eterno país do futuro para um país de concretas realizações. Só existe um caminho.

Entra governo, sai governo e o tema ganha as manchetes como plataforma política, mas é difícil identificar, qual parcela de recursos destinada à Educação irá efetivamente alcançar o seu destino. Que parte dos ganhos dos poços de petróleo de Libra ou de qualquer outro signo do zodíaco resultará em benefícios para nossos netos no Brasil? Sim, para os nossos netos, porque a juventude atual já está comprometida culturalmente. É muito difícil, senão impossível, recuperar a atual geração quanto ao tema cultural.

A educação como único caminho e um futuro comprometido

Assistindo a uma entrevista do Dr. Ives Gandra Martins para dois renomados jornalistas, comentei com minha esposa: “Como é agradável escutar alguém com cultura, embasamento e postura. Prende a nossa atenção”. Foi então que ela me alertou para o fato de que, aparentemente, esse elevado nível cultural está se extinguindo. Pessoas como o Dr. Ives Gandra serão cada vez mais raras na sociedade, digo, quanto à capacidade de expressão, cultura quase ilimitada forjada em leitura, pesquisas, estudos, profundas reflexões, experiência profissional, debates, crítica, imparcialidade de visão e correto juízo.

Pode parecer saudosismo, mas é angustiante a realidade da ignorância e ausência de objetivos concretos para boa parte da geração atual. O que podemos esperar de uma juventude superficial, inculta, com deficiências educacionais, que vão desde a ausência de valores morais até a incapacidade de se expressar na própria língua materna?

“Que força de trabalho futuro terá uma geração que cultua o funk como autoafirmação, idolatra jogadores de futebol ou cantores sertanejos como ambição de sucesso (sem tirar o mérito desses atletas ou artistas), possui uma das mais baixas escolaridades do mundo, tem como objeto de desejo um carro com alto-falantes potentíssimos que emitem estrondos os quais chamam de música e, pelo baixo nível cultural, são facilmente manipulados por pastores evangélicos inescrupulosos, políticos indecentes e por uma novela em horário nobre que dita regras, valores e costumes para a sociedade?”

A revolução cultural na Coreia do Sul, o sacrifício de uma geração

Se tomarmos como referência para o Brasil o exemplo bem-sucedido da revolução cultural realizada na Coréia do Sul, podemos afirmar que a nossa atual geração está perdida. Devemos então cuidar da próxima, para que não haja mais desperdício de talentos e falta de brilhos nos olhos.

Há alguns anos a revista Veja publicou uma excelente matéria sobre a evolução da Coréia do Sul por meio da educação. Resgatei alguns trechos absolutamente impressionantes desse maravilhoso projeto sul-coreano, que mostram claramente a razão pela qual aquele país é grande no presente.

Ao sacrificar uma geração, a Coréia do Sul preparou as bases e fundações para tornar-se a superpotência que é hoje, com apenas quatro pilares: Política educacional; Destinação de recursos; Seriedade; Foco.

De uma forma clara e objetiva, aulas extras como prêmio:

  1. Concentrar os recursos públicos no ensino fundamental e não na universidade;
  2. Premiar os melhores alunos com bolsas e aulas extras para que desenvolvam seu talento. Sim, aulas extras como prêmio;
  3. Dar melhores salários aos professores;
  4. Deixar as universidades por conta da iniciativa privada;
  5. Investir em polos universitários voltados para a área de tecnologia;
  6. Atrair o dinheiro das empresas para custear as universidades, produzindo pesquisas alinhadas com as demandas do mercado industrial e capitalista;
  7. Estudar mais. Simples, não? Os brasileiros dedicam menos de cinco horas por dia aos estudos. Os sul-coreanos estudam em média, onze horas por dia;
  8. Incentivar os pais a se tornarem assíduos participantes nos estudos dos filhos.

Segundo a revista Veja de dezembro de 2008, a Coréia do Sul e o Brasil já foram países bastante parecidos. Em 1960, eram típicas nações do mundo subdesenvolvido, atoladas em índices sociais e econômicos vexatórios e com taxas de analfabetismo que beiravam os 35%. Na época, a renda per capita coreana equivalia à do Sudão, em torno de novecentos dólares por ano. Nesse aspecto, o Brasil levava alguma vantagem – sua renda per capita era o dobro da coreana. A Coréia amargava ainda o trauma de uma guerra civil que deixou um milhão de mortos e a economia em ruínas. Hoje, um abismo separa as duas nações. A Coréia do Sul exibe uma economia vigorosa, capaz de triplicar de tamanho a cada década. Sua renda per capita cresceu dezenove vezes desde os anos sessenta e a sociedade atingiu um patamar de bem-estar invejável. Os sul-coreanos praticamente erradicaram o analfabetismo e colocaram 82% dos jovens na universidade. Já o Brasil mantém 13% de sua população na escuridão do analfabetismo e tem apenas 18% dos estudantes na faculdade (esses dados estão um pouco desatualizados, pois mantive números do texto original, mas em nada mudam a análise e a conclusão ao longo deste capítulo no livro).

Segundo dados do Banco Mundial, o PIB per capita da Coréia do Sul em 2014 foi de vinte e oito mil dólares, enquanto que o do Brasil não chegou a doze mil dólares. Trinta anos antes, a diferença entre os valores per capita era de apenas mil dólares. Em suma, independentemente da exatidão desses números e sua variação no tempo, o Brasil ficou para trás e a Coréia do Sul largou em disparada, em uma geração.

Por que isso aconteceu? Porque a Coréia do Sul apostou no investimento ininterrupto e maciço em Educação e nós não. Enquanto os asiáticos despejavam dinheiro nas escolas públicas de ensino fundamental e médio, sistemática e obstinadamente, o Brasil preferia canalizar recursos para a universidade e inventar projetos mirabolantes que viravam fumaça a cada troca de governo. Ou seja, gastava-se munição atirando para todos os lados, sem acertar alvo nenhum.

Conforme publicou a revista, a Coréia do Sul é uma sociedade obcecada pelo estudo. O Brasil, infelizmente, é uma sociedade influenciada por fatores que afastam os jovens das escolas e tudo passa por incapacidade de gestão dos governos.

A retórica da educação no Brasil é apenas um discurso político (Saúde, Educação e Segurança – como cansa ouvir sempre as mesmas promessas vazias). O que distancia os jovens das escolas por aqui é exatamente o oposto daquilo que os atrai na Coréia e, mais recentemente, na China.

Naquele país os jovens estudam por obrigação, por competição e por um objetivo: serem melhores. Competir nos estudos, para os coreanos, é como praticar um esporte. É um país que tem na formação de cérebros o principal motor de sua economia.

A China segue o mesmo caminho, com a diferença que lá, as reservas internacionais estão acima de três trilhões de dólares. Podemos esperar que a China será a maior potência mundial em poucos anos.

Coreia do Sul x Brasil, outro 7 x 1 vexatório

É claro que não posso comparar os dois países (Coréia do Sul e Brasil) e as duas culturas de modo cartesiano. Mas, mesmo ressaltadas as peculiaridades que permitiram a sua implantação na Coréia, é possível extrair lições para o Brasil. Mas só lições não são suficientes. É preciso que os nossos governantes entendam e aprendam com essas lições, mas isso demandaria deixar de fazer a “velha política”, coisa que talvez eu não tenha a felicidade de assistir em vida.

Ainda sobre a matéria publicada, entre todas as políticas adotadas pela Coréia para aumentar os índices educacionais do país, uma, de natureza simples, alcançou resultado excelente: o investimento público concentrou-se no ensino fundamental e ficou a cargo da iniciativa privada cuidar da proliferação do ensino superior. Para um país com PIB subdesenvolvido, era necessário fazer uma escolha. Canalizar recursos para as escolas resultou em um sistema público homogêneo e de bom nível. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para avaliar o rendimento escolar em quarenta países, a Coréia revelou ter o sistema mais igualitário de todos, com pouquíssima diferença no resultado dos alunos. O detalhe positivo: a esmagadora maioria vai bem. No ranking, o país alcançou o terceiro lugar em Matemática e o quarto em Ciências, enquanto o Brasil ficou, respectivamente, na última e penúltima colocações nas duas matérias.

Por trás das notas, há um aspecto fundamental: a Coréia não apenas investe mais em educação do que o Brasil, como também faz uso mais eficiente do dinheiro.

A escola virou “point” de final de semana

O resultado do investimento sul-coreano nas escolas públicas é visível. Todas as salas de aula são equipadas com um telão de plasma ou cristal líquido onde os professores projetam suas aulas, os laboratórios de computação têm máquinas de última geração ligadas à internet e as bibliotecas, de tão completas, atraem famílias inteiras nos finais de semana. Imagine isso no Brasil? As escolas provavelmente seriam saqueadas na primeira madrugada.

Agora a apoteose. Além da infraestrutura, o dinheiro despejado nas escolas produziu na Coréia salários bastante atrativos para os professores, que estão entre os mais bem pagos do mundo. De acordo com a OCDE, um professor experiente de ensino fundamental ganha na Coréia um salário mensal médio de seis mil dólares. Trata-se de uma carreira que confere status. Para as mulheres da Coréia do Sul, o professor é visto como “um bom partido para casar” porque tem emprego estável, férias longas (raridade no país), jeito para lidar com crianças e ótimo salário.

Leva-se o ensino tão a sério que até professor de jardim de infância precisa ter diploma superior (a maioria conta com pós-graduação).

A motivação da competição faz com que os jovens sul-coreanos tenham como objetivo, produzir tecnologia e colocar-se à frente do Japão. Infelizmente, por aqui, jovens se contentam apenas em se colocar à frente da Argentina em um jogo de futebol. Mais um exemplo sensível das diferenças.

Aos parágrafos anteriores acrescentei um pouco de pimenta por conta, mas quem quiser ler o artigo original, escrito por Monica Weinberg, poderá resgatar sua versão eletrônica de 23/12/2008.

Utilizei o exemplo da Coréia do Sul porque é recente, real e representa tudo o que eu queria para o Brasil nesse momento. Afinal, o tema educação está na mídia não por ser uma prioridade regular em Brasília, mas por causa da necessidade de dar uma destinação imune às críticas para os recursos da exploração do petróleo do pré-sal e para sustentar algumas bandeiras político-partidárias sem lastro na vontade de realizar.

Conhecemos bem a enorme distância entre o discurso e a prática. Mas eu ainda confio na sensibilidade e no coração dos governantes para esse tema. Quero uma política séria e honesta de educação, valorizando professores do ensino básico, repassando os recursos sem pedágios políticos intermediários, tentando salvar o pouco que resta dessa geração perdida em drogas, crime, falta de objetivos de vida, promiscuidade, dentre vários outros itens e assim, evitando que a próxima geração siga os mesmos caminhos.

Estou cansado de ver o Brasil classificado em posições vergonhosas quando comparado a outros países, em índices de qualidade de vida, IDH, educação, tecnologia, empreendedorismo e outros que, na prática, nos fazem ter o pior desempenho econômico entre os países emergentes.

O Brasil precisa voltar a ser um lugar seguro, seja para investimentos externos, seja para caminhar nas ruas. Somente a educação reduzirá a criminalidade, aumentará a empregabilidade, colocará o País no topo, resgatará o orgulho e os objetivos de várias gerações.

Um país sem ordem é um país destinado ao caos. Uma nação sem cultura é uma nação com o futuro “hipotecado”, destinada ao fracasso e ao fim.

Orlando Merluzzi – extrato do Capítulo 8 do livro Potência Corporativa, de 2017.

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#Educação #Cultura #Gestão #Empreendedorismo

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