A Sociedade 5.0, a Indústria 4.0 e o Brasil com 40 anos de atraso

por: Orlando Merluzzi

Por que o Brasil está tão distante da implantação dos novos conceitos tecnológicos na indústria, na prestação de serviços e na sociedade?

A extensão 4.0 virou moda e sinônimo de algo muito moderno. A culpa é dos alemães, que têm a irritante mania de planejar corretamente para médio e longo prazos e, ainda por cima, fazer o planejamento acontecer como previsto. Foram eles que inventaram em 2011 a Indústria 4.0 a partir de um plano estratégico para posicionar a Alemanha em 2020. Os chineses já copiaram também essa virtude alemã e lançaram um plano de dez anos chamado “Made in China 2025”, para fazer o país ser um líder global em tecnologia da informação, transporte, geração de energia limpa, biomedicina e até máquinas agrícolas.

No Brasil a moda do 4.0 tem sido utilizada em larga escala como ferramenta de propaganda. Há uma certa confusão de conceitos. O fato da empresa possuir um elevado índice de conectividade, com gestão a distância, sistemas nas nuvens e equipamentos de última geração não faz a atividade ser 4.0.

De modo bem simples vou explicar o conceito da Indústria 4.0, sem entrar em detalhes de engenharia e processos. Após 230 anos de evolução industrial, desde a primeira fase de mecanização a vapor na Inglaterra em 1780, a quarta revolução foi desenhada em 2010 na Alemanha, numa parceria entre a indústria, a universidade pesquisadora e o governo. O objetivo era colocar o país, em 2020, como líder em manufatura por meio da alta tecnologia e então, a Indústria 4.0 foi anunciada oficialmente em Hannover, em 2011.

Trata-se de uma enorme integração de processos, homem, máquina, realidade virtual e intelecto.

A Indústria 4.0 é bem maior do que a Manufatura 4.0. Enquanto a primeira engloba toda a cadeia logística, desde o supply chain até o cliente final, passando pelo chão de fábrica, distribuição das etapas de produção e a descentralização da gestão, a Manufatura 4.0 consiste na inteligência e controle do processo produtivo. Ambas estão ancoradas nos mesmos pilares fundamentais: computação nas nuvens, internet das coisas, robotização, inteligência artificial, conectividade, mobilidade, big data e segurança de dados. As máquinas podem ser independentes, controlar umas às outras, identificar anomalias no processo produtivo e tomar decisões autônomas. Há fábricas que operam sem a presença do homem e dessa forma, nem precisam de iluminação ambiente, pois fazem tudo no escuro.

Uma entre as principais características da Indústria 4.0 é a necessidade de a empresa redesenhar o seu próprio modelo de negócios, ofertando um novo serviço de valor agregado como produto. Uma grande montadora pode entregar ao cliente o serviço de mobilidade e transporte por meio de aplicativos e não, necessariamente, fazer a operação com um veículo de sua própria marca. Você conseguiria imaginar, por exemplo, a Ford oferecendo um serviço de transporte com um carro da GM, por meio de um aplicativo gerenciado em Mumbai? Esse não é um exemplo de Indústria 4.0, mas é um bom exemplo de redesenho do modelo de negócios.

A descentralização da gestão na Indústria 4.0 é uma das barreiras para o Brasil entrar nesse jogo, pois o conceito verdadeiro requer liberdade de fronteiras e baixa burocracia.

A Sociedade 5.0

Subindo mais um degrau na escala evolutiva o Japão apresentou em 2016 o conceito da Sociedade Super Inteligente (Super Smart Society 5.0), que utiliza toda essa evolução tecnológica para beneficiar a sociedade e resolver seus problemas por meio da incorporação da quarta revolução industrial a uma avançada e disciplinada cultura. Assim, a sociedade em um futuro próximo consolidará valores e desenvolverá serviços que tornem melhor a vida das pessoas, mais sustentável e adaptável. A previsão é para que a Sociedade 5.0 ofereça soluções para o envelhecimento, longevidade humana, cura de doenças extremas, previsões e soluções de catástrofes, mobilidade personalizada, infraestrutura e a consolidação das fintechs – o dinheiro será virtual e até o conceito de “riqueza” vai mudar. Devolver os movimentos para quem os perdeu e reduzir a dependência física na mobilidade, ter drones e robôs como membros da família e criar uma nova definição para o termo “velhice”.

Uma antecipação da sociedade super inteligente, nos dias de hoje, pode ser atribuída às criptomoedas que, na forma atual, ainda encontram-se em fase embrionária, mas é uma tendência inevitável.

Você não pode questionar a globalização ou a internet, no máximo poderá discutir os seus efeitos. A mesma coisa vai acontecer com as criptomoedas e até mesmo com o sistema de segurança blockchain, de forma que você não poderá concordar ou discordar deles, mas poderá desenvolver longas teses acadêmicas e filosóficas sobre suas consequências na sociedade.

Por quê 5.0?

A extensão 5.0 considera que a sociedade já superou três fases evolutivas e vivemos hoje a sociedade 4.0 (a era da informação). As três primeiras foram: a sociedade caçadora-coletora e nômade (sociedade 1.0); a sociedade agrária e organizada em estados (sociedade 2.0); a sociedade da produção em massa e do consumo (sociedade 3.0).

A Indústria 4.0 coloca o domínio da máquina no centro de tudo e a Sociedade 5.0 vai recolocar o Homem no centro dos processos.

O que acontece com o Brasil e quais os riscos?

Começando pelos riscos, são muitos e nossas deficiências, intermináveis. Elas tornam-se barreiras ainda difíceis de transpor.

A Indústria 4.0 nasceu a partir de um plano para manter o país competitivo e líder ao longo do tempo e para isso empresários, governo, sistema financeiro e a academia alinharam-se em torno de um objetivo comum. Uma das causas do sucesso da Indústria 4.0 na Alemanha é que o conceito se aplica também às pequenas e médias empresas, com financiamento, capacitação e seriedade de gestão. Rapidamente os países de primeiro mundo abraçaram esse conceito. Europa, Estados Unidos e Ásia estão agora em um caminho sem volta.

Toda essa tecnologia e desenvolvimento possui o respaldo de leis, fundos de financiamento e políticas governamentais suprapartidárias.

No Brasil, por enquanto, somente as grandes multinacionais estão efetivamente entrando no ambiente 4.0, pois trazem parte da evolução de suas matrizes. Não há financiamento acessível, muito menos plano governamental que proporcione previsibilidade para a Indústria Nacional.

As pequenas e médias empresas estão ainda mais distantes. Não há planos de rompimento das barreiras burocráticas nem tributárias. Não há plano concreto que elimine o atraso educacional no País.

As trocas de Governo e de linhas ideológicas derrubam acordos e fazem os programas setoriais parecerem colchas de retalhos.

Um bom exemplo é o Programa Inovar-Auto que, ao ser encerrado em dezembro de 2017 ainda possuía demandas estabelecidas em 2012 que não haviam sido regulamentadas.

Enquanto os países líderes avançam em passos largos para o desenvolvimento tecnológico na indústria automobilística, seja no carro elétrico ou autônomo, o Programa Rota 2030 continua patinando e permanece nas incertezas do Planalto Central. Assim, o grande risco é o Brasil estagnar no ambiente “3.X” enquanto o mundo salta novos obstáculos. O País vai ficando para trás e essa distância só será percebida daqui a alguns anos, quando apenas a nossa vocação de produtor agrícola e extrator mineral for reconhecida como fator de competitividade.

Imagine o quanto estaremos distantes de uma Sociedade 5.0, pois ela engloba, além da integração tecnológica, os aspectos culturais. O Japão pode sonhar com essa nova sociedade, afinal, um povo que visita nosso país, assiste aos jogos de futebol nos estádios daqui e ao final da partida limpam e recolhem todo lixo que produziram nas arquibancadas, também nos aplicou outro sete a um, além da Alemanha.

A Indústria 4.0 e a Sociedade 5.0 trazem ao mundo o perigo de uma segregação ainda maior entre os países desenvolvidos, os países em desenvolvimento e os países a desenvolver e o Brasil corre o risco de cair para a “Série C” desse campeonato.

Cabe a nós, pensadores corporativos, alertar para essa catástrofe e para isso nem é preciso robôs ou inteligência artificial. Basta uma greve de caminhoneiros por uma semana para expor toda fragilidade e ausência de planos contingenciais para desobstruir as artérias da economia e de nosso desenvolvimento. Isso, no mínimo, afasta os investidores por muito tempo.

Entende agora, por que o risco de ficarmos para trás?

Orlando Merluzzi – Junho/2018

 

Curling, o novo queridinho do mundo corporativo

O Mundo Corporativo tem muita coisa em comum com o Curling. O ambiente desse esporte pode ser utilizado, na íntegra, em programas de desenvolvimento de recursos humanos, lideranças, estratégias, comportamento de equipe e muito mais.

Neste mês, um em cada quatro brasileiros acompanhou, de alguma forma, algum jogo ou evento das olimpíadas de inverno na Coréia do Sul. Difícil dizer em qual modalidade viciei-me mais e como a festa acabou nesta madrugada, já estou vivendo a síndrome de abstinência dos jogos sobre o gelo.

Vários elementos necessários para alcançar o sucesso no ambiente dos negócios estão presentes no Curling, uma atividade esportiva ainda desconhecida para os brasileiros.

Veja o vídeo e saiba mais sobre a relação entre o Ambiente Corporativo e o Curling. 

Aumente o som porque a trilha sonora é Megadeth.

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15 DICAS DE ETIQUETA CORPORATIVA. O QUE PODE E O QUE NÃO DEVE.

O tema não é novo. Contudo, de tempos em tempos faz-se necessário um recall das boas maneiras e comportamentos mais adequados no ambiente de negócios. Novos profissionais ascendem às posições de comando e alguns demoram um pouco para adaptarem-se à cultura da empresa, embora algumas boas práticas comportamentais sejam universais.

Ao longo de sua carreira é esperado que você deixe um legado profissional e ele está intimamente ligado com sua imagem pessoal e reputação. A imagem se constrói diariamente e seus êxitos de hoje nem sempre serão lembrados daqui a algum tempo.

Ao longo de 32 anos tive o privilégio de conhecer seis culturas corporativas distintas, no Brasil e no país sede de cada matriz da empresa para a qual trabalhei. Alguns valores são locais e o profissional deve se esforçar para conhecer a cultura da empresa, de modo a orientar o seu próprio comportamento em reuniões, comunicações internas, encontros sociais e claro, na relação interpessoal. Uma postura equivocada ou interjeição mal colocada, em algumas empresas podem ter efeito negativo de imediato e em outras, passar despercebido.

Há culturas empresariais que fomentam o conflito e discussões ruidosas nas reuniões. Outras, abominam o conflito e suspendem as reuniões em casos onde o consenso parece não ter sido incluído no primeiro item da pauta.

“Mostrar a sola do sapato no Oriente Médio pode resultar na perda de um negócio milionário; entregar um cartão de visitas para um oriental com o tradicional desprezo que fazemos no mundo ocidental é sinal de desrespeito; não obedecer à hierarquia ao subir uma escada ou ao entrar no elevador pode resultar em uma advertência; em alguns países chama-se a pessoa pelo sobrenome e em outros, pelo primeiro nome; em algumas culturas, sorrir pode ser entendido como falsidade ou liberdade não apropriada para o momento. Há locais onde o aperto de mão deve ser firme, mas em outros, um aperto de mão firme pode ser entendido como postura agressiva. Em algumas culturas é possível um bate-papo informal antes das reuniões, em outras, nem pensar.”

Recomendo que o profissional procure conhecer as melhores formas de conquistar a confiança no ambiente em que estiver inserido, de modo que algumas susceptibilidades culturais não sejam feridas.

A seguir, listo alguns comportamentos universais que devem ser observados pelos profissionais que assumem posições de liderança em negociações, internas e externas, coisas simples que no dia a dia ajudarão a compor sua imagem e reputação. A bem da verdade essas recomendações valem para todos na organização, independentemente das posições hierárquicas. É o recall das etiquetas corporativas, algumas adequadas à nova realidade tecnológica.

1. Em reuniões: não bata a porta da sala, não roa as unhas, não se distraia fazendo desenhos no caderno, muito menos com as mídias sociais ou e-mails no smartphone e não cruze as pernas. Evite conversas paralelas e não cochiche com a pessoa ao seu lado. Não interrompa quem estiver falando, a não ser que seja para colaborar positivamente com a tese que o interlocutor estiver apresentando, mesmo assim, que seja uma interrupção curta. Mas, cuidado, em algumas culturas uma interrupção pode significar a sua exclusão da lista de convidados para a próxima reunião.

2. Agendas ocultas: procure evitar. Na maioria das corporações é uma boa maneira de se fazer inimigos corporativos.

3. Cumprimentos e apresentações. Ao cumprimentar pela primeira vez olhe nos olhos e incline um pouco a cabeça para frente. Na maioria das culturas é um sinal de gentileza e respeito e costuma ser bem recebido pela outra parte. Diga seu nome completo e se houver troca de cartões, receba o cartão da outra pessoa com as duas mãos, lendo-o com atenção antes de guardá-lo no bolso do paletó. Se a reunião for ao redor de uma mesa, mantenha o cartão de visitas da pessoa sobre a mesa. Evite cumprimentar as pessoas com a mão suada e lave o rosto durante o dia. Não abrace e não dê tapinhas nas costas de quem você não é íntimo. Ao cumprimentar uma mulher, não dê “beijinhos”. Ao ser apresentado a alguém, levante-se. Tente chamar as pessoas pelo nome (ou sobrenome).

4. E-mails: uma doença corporativa. Procure responder as mensagens recebidas e se você estiver em cópia, só responda com cópia para os demais caso você tenha realmente algo importante para acrescentar. Evite discussões e contestações públicas por e-mails; para isso, prefira uma conversa pessoal. Jamais deixe os copiados em uma situação de constrangimento. Não envie e-mails com cópia-oculta, pois o copiado pode não notar e replicar para outras pessoas e isso não ficará bem para você, afetando o nível de confiança. Escreva somente o necessário e não responda as provocações na mesma intensidade. Quando você receber o terceiro e-mail sobre um mesmo assunto, é hora de parar com a troca de mensagens e chamar uma reunião. Tome a iniciativa.

5. Nunca aponte o dedo para alguém em uma sala de reunião ou em uma conversa no ambiente profissional. Se for apontar para algum local ou até mesmo para a tela de projeção, utilize dois dedos juntos.

6. Restaurantes: mantenha modos aceitáveis no restaurante e evite comer como se estivesse retornando de uma missão na selva. Não faça sujeira na mesa ou no chão ao cortar o pão com as mãos e em caso de acidentes com um copo de água, peça desculpas e cubra com o guardanapo. Não beba álcool em um almoço de negócios e, no caso de jantares sociais promovidos pela empresa, conheça seus limites para evitar vexame. Acredite, as pessoas ao seu redor observam tudo isso e você será o assunto por muito tempo. Se você estiver em uma mesa de almoço ou jantar em outro país e lhe oferecerem algo para comer cuja aparência não revele o conteúdo de imediato, não tenha receio em dizer que você é vegetariano, isso não ofende o anfitrião, mas é importante avisar antes do início da refeição. Se o anfitrião lhe oferecer álcool e você tiver a chance de recusar, há várias formas delicadas de fazê-lo, sem ofender. Por fim, quem convidou para o almoço ou jantar deve pagar a conta.

7. Após os encontros sempre envie uma nota simples de agradecimento, é elegante e de bom tom.

8. Aparência. Vista-se bem, adequadamente ao momento e ao ambiente, seja formal, social ou “casual”, mas não se descuide da higiene pessoal. Isso pode afastar as pessoas de você.

9. WhatsApp – Evite escrever vários textos curtos e clicar o comando de envio por várias vezes seguidas. Escreva um único texto e envie uma única vez, de preferência, sempre em letras minúsculas, mas desligue o aparelho ou o som em uma reunião.

10. Humildade. Na empresa, cumprimente verbalmente todas as pessoas com um “bom dia”, seja o porteiro, a moça da limpeza, o colega de trabalho ou o presidente. Isso lhe fará muito bem.

11. Serviços de terceiros. Ao solicitar a cotação de um trabalho externo, responda para as empresas que lhe enviaram a cotação, mesmo que a resposta seja negativa. A ausência de resposta para uma empresa de consultoria, por exemplo, poderá fazer com que você não tenha resposta no seu próximo pedido de cotação, ou que receba um preço bem mais alto. Lembre-se que, para fornecedores externos, você representa a empresa e a sua atitude pode ser confundida com a própria política corporativa.

12. Pontualidade. Seja pontual e caso se atrase para uma reunião por razões que fujam ao seu controle, como trânsito, por exemplo, avise com antecedência que irá se atrasar e explique o motivo. Na maioria das vezes as pessoas toleram essa situação, desde que a desculpa não seja repetitiva.

13. Recados. Retorne as ligações e nunca prometa aquilo que não poderá cumprir.

14. Humor no ambiente de trabalho. Há um momento certo para cada comportamento dentro do ambiente corporativo. Respeito, seriedade, retidão de conduta, educação, simpatia, cooperação e bom-humor são muito apreciados, mas o humor em excesso pode prejudicar uma carreira. O “Palhaço Corporativo” geralmente nunca é lembrado para as promoções mais importantes. O ambiente corporativo não é lugar para “stand up comedy”, a não ser que a empresa seja a própria produtora dos espetáculos teatrais.

15. Mentira: não minta. No ambiente corporativo a mentira tem as pernas e os braços curtos. Pernas curtas porque não vai longe e não se sustenta; braços curtos porque o mentiroso geralmente não produz. Lembre-se: se você disser sempre a verdade não precisará se lembrar de nada depois.

A Etiqueta Empresarial é uma combinação de comportamentos, atitudes, tradição, cerimônias, estilos e cultura, utilizados para transformar o relacionamento pessoal em agendas positivas. Pode destruir ou impulsionar uma carreira.

Há muitos outros itens que eu poderia incluir nesse texto, mas para evitar que fique longo demais, vou deixá-los para uma próxima oportunidade.

A presença da ética corporativa não elimina a necessidade da boa etiqueta empresarial.

Orlando Merluzzi – 09-08-2017


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Etiqueta nos negócios – LinkedIn

Site do autor: Orlando Merluzzi

 

Frases famosas cujo autor não recebeu o devido crédito. Algumas, nem foram ditas.

Qual efeito dessa cultura na sociedade e no mundo corporativo?

“Quem conta um conto aumenta um ponto”. Essa frase não é de Clarisse Lispector, nem de Monteiro Lobato, mas é quase perfeita. O famoso telefone sem fio, a conversa de corredor, o “boi na linha”. Imagine que muitas frases de efeito, que você certamente já repetiu ou então ouviu (uma ou outra), nunca foram ditas por seus supostos autores e algumas, sequer foram pronunciadas. São fantasias e acabamos acreditando e propagando. Tanto faz se a conversa ocorreu na lanchonete “Boca Maldita” ou na “maldita boca da internet”, que propaga “fakes” com a mesma velocidade que muda a página para uma nova estória.

A internet não é a única culpada. Muitas citações erradas ou maldosas já causaram grandes estragos no passado, imbróglios diplomáticos e até decapitação, quando não havia internet e nem telefone.

Atire a primeira pedra quem nunca pensou que fossem verdadeiras as mistificações abaixo:

“Os fins justificam os meios”

Essa famosa frase nunca foi dita por Nicoló Machiavelli em sua obra O Príncipe, oferecida a Lorenzo de Medici, com segundas intenções. Alguém resumiu os pensamentos do autor e distorceu aquilo que não pode ser resumido em uma única frase. Talvez, o trecho que mais se aproxime disso no livro está no final do Capítulo 18: “Procure, pois, um príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo…”

“Tudo que pode dar errado, vai dar errado” ou, “Se algo pode dar errado, dará”

Major Edward Alvar Murphy Jr. (falecido em 1990) era engenheiro aeroespacial e uma citação sua, mal interpretada ou difundida erroneamente, deu origem à famosa Lei de Murphy. Ele nunca disse aquilo. Na realidade, cruzando a informação de George Nichols (engenheiro presente no teste em 1949) com a entrevista do filho de Murphy, Robert, a frase correta foi: “Se houver mais de uma maneira de fazer um trabalho e uma dessas maneiras puder resultar em um desastre, então ele fará dessa maneira”, referindo-se de forma pouco tolerante ao assistente técnico que provocou a falha em um importante teste aeronáutico.

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”

Não, a frase nunca foi dita por Albert Einstein e nem por Benjamin Franklin. A autoria dessa frase, até aqui é desconhecida.

“Todo mundo é um gênio, mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, vai gastar toda a sua vida acreditando que ele é estúpido”

Essa frase também não foi dita por Albert Einstein. Não há tal registro oficial.

“Mulheres bem-comportadas, raramente fazem história”

Mais uma frase de efeito, dessa vez atribuída à Marilyn Monroe, mas, também não é dela, embora combinasse perfeitamente com a loira. A frase, na verdade é da historiadora Laurel Thatcher Ulrich.

“Não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”

Não se desaponte, mas Voltaire nunca disse essa frase. Originalmente aparece no livro The Friends of Voltaire, de 1906, onde a biógrafa Evelyn Beatrice Hall tenta resumir o pensamento do filósofo iluminista.

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

Não há registro crível dessa famosa frase atribuída a Charles Darwin, mas há muitos autores de auto-ajuda que utilizam nomes de famosos para dar credibilidade aos seus discursos.

“Se não têm pão, que comam brioches”

Essa famosíssima frase também foi creditada para a pessoa errada. Em sua autobiografia, Jean-Jacques Rousseau afirmou que uma princesa ficou conhecida por dizer a frase “Se o povo não tem pão, que coma brioche”. Porém, quando Rousseau escreveu suas “Confissões”, Maria Antonieta tinha entre 12 e 14 anos. É mais provável que ele estivesse se referindo a Maria Teresa de Espanha, que teria dito a famosa frase, cem anos antes.

“Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”

O autor dessa pérola é desconhecido. Certamente, não foi Eça de Queiroz e nem Benjamin Franklin, que disseram tal frase. Eu apostaria em Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, pois a frase tem o “jeitão” dele.

“A genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”

Se você pensa que essa é mais uma frase de efeito do genial Albert Einstein, desculpe-me, mas não é. A frase foi dita por Thomas Edison.

“O Brasil não é um país sério”.

Charles de Gaulle nunca disse isso, oficialmente. No início da década de 1960, Brasil e França entraram em conflito diplomático por causa de divergências quanto à pesca de crustáceos (também conhecido como Guerra da Lagosta). Foi nesse contexto que o francês Charles de Gaulle teria dito: “O Brasil não é um país sério”. Contudo, quem difamou o próprio país foi o embaixador brasileiro Carlos Alves de Souza, ao sair de uma reunião com de Gaulle e pronunciar a frase aos jornalistas. O próprio de Gaulle desmentiu isso posteriormente, sem muito sucesso, pois até hoje há jornalistas brasileiros que citam a frase, com crédito ao ex-presidente francês, como se estivessem presentes naquela reunião em 1962, no Palácio do Eliseu.

E o mundo corporativo com isso?

História ou folclore, há uma grande quantidade de frases e citações desmistificadas em websites críveis para verificação de autenticidade, mas a reflexão para esses casos de propagação indevida deve ser estendida às nossas vidas em sociedade e no mundo corporativo, afinal, os elementos das inter-relações pessoais que deterioram o clima organizacional – e sobre os quais comento bastante em meu livro Potência Corporativa, recém lançado pela Editora Pensamento Corporativo Ltda – independem da mídia social para serem equivocadamente ou maldosamente propagados. 

A extraordinária reputação de um profissional pode ser construída sob os alicerces da competência e uma excelente assessoria de imprensa, mas, também pode ser prejudicada por quem conta um conto e aumenta um ponto e, como diz o provérbio, “há quatro coisas que, após lançadas, não voltam atrás: a flecha, a palavra pronunciada, a oportunidade perdida e as penas ao vento”. Em tempo, esse não é um provérbio chinês, nem árabe.

A internet ou aquele “cantinho da fofoca” no ambiente corporativo, não são culpados por aspectos comportamentais. No máximo, a internet é “o meio” e o cantinho do café, apenas uma desculpa.

Orlando Merluzzi


 

Lançamento do livro: Potência Corporativa, 2017. Já disponível para venda.

Como gerenciar o clima organizacional no mundo corporativo público e privado, assegurando a motivação e a capacidade de inovar e empreender.


Ética, bullying, assédio moral, falta de respeito e insatisfação no ambiente de trabalho. O que fazer para evitar comportamentos internos destrutivos para a empresa e como corrigir a rota? Incluindo trechos da série: “Lendas, Mitos e Verdades do Mundo Corporativo” 

Um livro essencial para gestão de recursos humanos, carreira, programas de talentos, desenvolvimento de pessoas, mentoring e treinamentos corporativos. 

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Já está disponível para venda, o livro Potência Corporativa, transformando o clima organizacional e a adrenalina em resultados para a organização, da nova Editora Pensamento Corporativo Ltda.

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Potência Corporativa: Transformando o clima organizacional e a adrenalina em resultados para a organização, 2017 – Editora Pensamento Corporativo Ltda.

Público alvo: Lideranças, Talentos e Gestores (em todos os níveis).

Sumário: Este livro, de leitura fácil e agradável, traz ensinamentos e casos do ambiente corporativo e define o conceito da Potência Corporativa como consequência da gestão do clima organizacional e das relações interpessoais e interdepartamentais nas organizações, públicas e privadas. A Inteligência Emocional é expandida no ambiente de trabalho, resultando no autor definiu como Emoção Corporativa. Através dela, a empresa potencializa os resultados operacionais e sua capacidade de inovação e empreendedorismo interno. A má gestão da emoção corporativa, ou a falta de um correto diagnóstico, pode resultar na perda da energia produtiva devido aos fatores inerentes ao comportamento do ser humano, que afloram nas relações pessoais em qualquer ambiente. O livro aborda aspectos da ética nas organizações e na vida, bem como a educação e a capacidade de julgamento dos valores morais. O autor incluiu trechos dos ensinamentos da série “Lendas, Mitos e Verdades do Mundo Corporativo” e colocou na obra, um pouco de seus conhecimentos e vivência, adquiridos em 32 anos de carreira, contando ainda alguns casos históricos e exemplos elucidativos.