A Sociedade 5.0, a Indústria 4.0 e o Brasil com 40 anos de atraso

por: Orlando Merluzzi

Por que o Brasil está tão distante da implantação dos novos conceitos tecnológicos na indústria, na prestação de serviços e na sociedade?

A extensão 4.0 virou moda e sinônimo de algo muito moderno. A culpa é dos alemães, que têm a irritante mania de planejar corretamente para médio e longo prazos e, ainda por cima, fazer o planejamento acontecer como previsto. Foram eles que inventaram em 2011 a Indústria 4.0 a partir de um plano estratégico para posicionar a Alemanha em 2020. Os chineses já copiaram também essa virtude alemã e lançaram um plano de dez anos chamado “Made in China 2025”, para fazer o país ser um líder global em tecnologia da informação, transporte, geração de energia limpa, biomedicina e até máquinas agrícolas.

No Brasil a moda do 4.0 tem sido utilizada em larga escala como ferramenta de propaganda. Há uma certa confusão de conceitos. O fato da empresa possuir um elevado índice de conectividade, com gestão a distância, sistemas nas nuvens e equipamentos de última geração não faz a atividade ser 4.0.

De modo bem simples vou explicar o conceito da Indústria 4.0, sem entrar em detalhes de engenharia e processos. Após 230 anos de evolução industrial, desde a primeira fase de mecanização a vapor na Inglaterra em 1780, a quarta revolução foi desenhada em 2010 na Alemanha, numa parceria entre a indústria, a universidade pesquisadora e o governo. O objetivo era colocar o país, em 2020, como líder em manufatura por meio da alta tecnologia e então, a Indústria 4.0 foi anunciada oficialmente em Hannover, em 2011.

Trata-se de uma enorme integração de processos, homem, máquina, realidade virtual e intelecto.

A Indústria 4.0 é bem maior do que a Manufatura 4.0. Enquanto a primeira engloba toda a cadeia logística, desde o supply chain até o cliente final, passando pelo chão de fábrica, distribuição das etapas de produção e a descentralização da gestão, a Manufatura 4.0 consiste na inteligência e controle do processo produtivo. Ambas estão ancoradas nos mesmos pilares fundamentais: computação nas nuvens, internet das coisas, robotização, inteligência artificial, conectividade, mobilidade, big data e segurança de dados. As máquinas podem ser independentes, controlar umas às outras, identificar anomalias no processo produtivo e tomar decisões autônomas. Há fábricas que operam sem a presença do homem e dessa forma, nem precisam de iluminação ambiente, pois fazem tudo no escuro.

Uma entre as principais características da Indústria 4.0 é a necessidade de a empresa redesenhar o seu próprio modelo de negócios, ofertando um novo serviço de valor agregado como produto. Uma grande montadora pode entregar ao cliente o serviço de mobilidade e transporte por meio de aplicativos e não, necessariamente, fazer a operação com um veículo de sua própria marca. Você conseguiria imaginar, por exemplo, a Ford oferecendo um serviço de transporte com um carro da GM, por meio de um aplicativo gerenciado em Mumbai? Esse não é um exemplo de Indústria 4.0, mas é um bom exemplo de redesenho do modelo de negócios.

A descentralização da gestão na Indústria 4.0 é uma das barreiras para o Brasil entrar nesse jogo, pois o conceito verdadeiro requer liberdade de fronteiras e baixa burocracia.

A Sociedade 5.0

Subindo mais um degrau na escala evolutiva o Japão apresentou em 2016 o conceito da Sociedade Super Inteligente (Super Smart Society 5.0), que utiliza toda essa evolução tecnológica para beneficiar a sociedade e resolver seus problemas por meio da incorporação da quarta revolução industrial a uma avançada e disciplinada cultura. Assim, a sociedade em um futuro próximo consolidará valores e desenvolverá serviços que tornem melhor a vida das pessoas, mais sustentável e adaptável. A previsão é para que a Sociedade 5.0 ofereça soluções para o envelhecimento, longevidade humana, cura de doenças extremas, previsões e soluções de catástrofes, mobilidade personalizada, infraestrutura e a consolidação das fintechs – o dinheiro será virtual e até o conceito de “riqueza” vai mudar. Devolver os movimentos para quem os perdeu e reduzir a dependência física na mobilidade, ter drones e robôs como membros da família e criar uma nova definição para o termo “velhice”.

Uma antecipação da sociedade super inteligente, nos dias de hoje, pode ser atribuída às criptomoedas que, na forma atual, ainda encontram-se em fase embrionária, mas é uma tendência inevitável.

Você não pode questionar a globalização ou a internet, no máximo poderá discutir os seus efeitos. A mesma coisa vai acontecer com as criptomoedas e até mesmo com o sistema de segurança blockchain, de forma que você não poderá concordar ou discordar deles, mas poderá desenvolver longas teses acadêmicas e filosóficas sobre suas consequências na sociedade.

Por quê 5.0?

A extensão 5.0 considera que a sociedade já superou três fases evolutivas e vivemos hoje a sociedade 4.0 (a era da informação). As três primeiras foram: a sociedade caçadora-coletora e nômade (sociedade 1.0); a sociedade agrária e organizada em estados (sociedade 2.0); a sociedade da produção em massa e do consumo (sociedade 3.0).

A Indústria 4.0 coloca o domínio da máquina no centro de tudo e a Sociedade 5.0 vai recolocar o Homem no centro dos processos.

O que acontece com o Brasil e quais os riscos?

Começando pelos riscos, são muitos e nossas deficiências, intermináveis. Elas tornam-se barreiras ainda difíceis de transpor.

A Indústria 4.0 nasceu a partir de um plano para manter o país competitivo e líder ao longo do tempo e para isso empresários, governo, sistema financeiro e a academia alinharam-se em torno de um objetivo comum. Uma das causas do sucesso da Indústria 4.0 na Alemanha é que o conceito se aplica também às pequenas e médias empresas, com financiamento, capacitação e seriedade de gestão. Rapidamente os países de primeiro mundo abraçaram esse conceito. Europa, Estados Unidos e Ásia estão agora em um caminho sem volta.

Toda essa tecnologia e desenvolvimento possui o respaldo de leis, fundos de financiamento e políticas governamentais suprapartidárias.

No Brasil, por enquanto, somente as grandes multinacionais estão efetivamente entrando no ambiente 4.0, pois trazem parte da evolução de suas matrizes. Não há financiamento acessível, muito menos plano governamental que proporcione previsibilidade para a Indústria Nacional.

As pequenas e médias empresas estão ainda mais distantes. Não há planos de rompimento das barreiras burocráticas nem tributárias. Não há plano concreto que elimine o atraso educacional no País.

As trocas de Governo e de linhas ideológicas derrubam acordos e fazem os programas setoriais parecerem colchas de retalhos.

Um bom exemplo é o Programa Inovar-Auto que, ao ser encerrado em dezembro de 2017 ainda possuía demandas estabelecidas em 2012 que não haviam sido regulamentadas.

Enquanto os países líderes avançam em passos largos para o desenvolvimento tecnológico na indústria automobilística, seja no carro elétrico ou autônomo, o Programa Rota 2030 continua patinando e permanece nas incertezas do Planalto Central. Assim, o grande risco é o Brasil estagnar no ambiente “3.X” enquanto o mundo salta novos obstáculos. O País vai ficando para trás e essa distância só será percebida daqui a alguns anos, quando apenas a nossa vocação de produtor agrícola e extrator mineral for reconhecida como fator de competitividade.

Imagine o quanto estaremos distantes de uma Sociedade 5.0, pois ela engloba, além da integração tecnológica, os aspectos culturais. O Japão pode sonhar com essa nova sociedade, afinal, um povo que visita nosso país, assiste aos jogos de futebol nos estádios daqui e ao final da partida limpam e recolhem todo lixo que produziram nas arquibancadas, também nos aplicou outro sete a um, além da Alemanha.

A Indústria 4.0 e a Sociedade 5.0 trazem ao mundo o perigo de uma segregação ainda maior entre os países desenvolvidos, os países em desenvolvimento e os países a desenvolver e o Brasil corre o risco de cair para a “Série C” desse campeonato.

Cabe a nós, pensadores corporativos, alertar para essa catástrofe e para isso nem é preciso robôs ou inteligência artificial. Basta uma greve de caminhoneiros por uma semana para expor toda fragilidade e ausência de planos contingenciais para desobstruir as artérias da economia e de nosso desenvolvimento. Isso, no mínimo, afasta os investidores por muito tempo.

Entende agora, por que o risco de ficarmos para trás?

Orlando Merluzzi – Junho/2018

 

É preciso cautela quanto ao deslumbre da moda 4.0

O fato de uma nova tecnologia ter um elevado grau de conectividade e gestão de dados não faz o setor ou segmento serem 4.0. Agora virou moda: Agropecuária 4.0, Medicina 4.0, Advogado 4.0, Educação 4.0, Comércio 4.0, Padaria 4.0… A própria Indústria ou Manufatura ainda não chegaram a esse nível e estão nos 3,6 a 3,8. As pessoas confundem as coisas ou aproveitam-se da oportunidade, dependendo do ponto de vista.

O conceito do 4.0 envolve logística e suply chain sem barreiras e no Brasil, o que mais há são barreiras.

#PensamentoCorporativo

Resultados da Pesquisa: A Inteligência Artificial e as Novas Tecnologias

MA8 Management Consulting acaba de divulgar uma pesquisa inédita sobre:

Inteligência Artificial e o impacto das novas tecnologias na sua vida – o que as pessoas conhecem a respeito e quais as suas expectativas.

Durante um mês, 930 pessoas participaram da pesquisa, que teve também a coordenação do editorial do blog Pensamento Corporativo.

Com objetivo de compreender a percepção das pessoas, quanto às tecnologias que já estão presentes em nosso dia a dia, as questões abordaram o conhecimento sobre o big data, assistentes virtuais, substituição de profissões e empregos pela inteligência artificial, carros autônomos e até aviões elétricos.

Substituição do ser humano por robôs, profissões que estão em risco com a chegada das novas tecnologias, benefícios para a humanidade na área da biomedicina e biociência,  confiança nas criptomoedas e muito mais.

Acesse o link abaixo ou na imagem acima para fazer o download da pesquisa em PDF e pedimos a gentileza de observar as regras de direitos autorais em caso de divulgação e utilização dos resultados, mencionando sempre a fonte.

 

Pesquisa 2018 – Inteligência Artificial e Novas Tecnologias

As dez marcas mais valiosas do mundo. Who is next?

Periodicamente, as agências de pesquisa e avaliação de Marcas emitem relatórios definindo um valor para cada marca no mercado. As principais agências seguem metodologia própria e algumas estabelecem parâmetros que tornam-se referências. Muitos ainda confundem o valor de uma marca com o valor do negócio em si. São coisas bem diferentes e não se calcula o valor de uma marca pelo método do fluxo de caixa descontado.

Minha análise hoje não entra em fórmulas ou conceitos. Quero chamar atenção para a movimentação das marcas em consonância com as novas tendências tecnológicas, em valor e em percepção na mente do consumidor.

Preste atenção no gráfico e tente compreender o que ele nos diz.

É fácil identificar que as empresas de tecnologia assumiram as seis primeiras posições em 2017, segundo o mais recente relatório BrandZ publicado pela WPP e Kantar Millward Brown. Extraí, propositalmente, do gráfico, os valores em bilhões de dólares estabelecidos para cada marca, pois o que me interessa nessa análise é a “dança das marcas” nos últimos anos e o que podemos esperar para os próximos cinco ou dez anos.

Tendências:

Entre as dez marcas mais valiosas do mundo em 2017, oito delas atuam no segmento de tecnologia, agora englobando a inteligência artificial e a internet das coisas, além das telecomunicações. Ao olharmos para o ano de 2007, apenas quatro entre as dez primeiras marcas mais valiosas do mundo eram do segmento de tecnologia, sendo que o foco era softwareinternet e telecom.

Outra análise que impressiona, segundo os critérios da BrandZ é que as cinco primeiras marcas mais valiosas em 2017, a saber: Google, Apple, Microsoft, Amazon e Facebook, valem juntas, hoje, 890 bilhões de dólares, mas em 2007, essas mesmas marcas valiam juntas, apenas 152 bilhões de dólares.

Como imaginar esse quadro daqui a alguns anos?

Indústria 4.0, gestão global descentralizada, energia limpa, veículos que não emitem ruído do motor e nenhuma partícula poluente, conectividade, carros autônomos e empresas com frotas de veículos virtuais, redes hoteleiras sem possuir, fisicamente, um único quarto de hotel, supercomputadores que farão a medicina diagnóstica com maior precisão a milhares de quilômetros de distância do paciente, o Watson da IBM que substitui advogados, médicos, engenheiros e corretores de imóveis, fazendas de geração de energia instaladas no mar, e tantas outras evoluções que, para nenhum espanto, já existem hoje.

Quais as empresas que estarão entre as “Top 10” no ano de 2022? Quantas delas serão chinesas? Quantos “petaflops” de capacidade de processamento terá o maior supercomputador do mundo, ultrapassando os atuais 93 petaflops do Sunway Taihulight chinês? A quem pertencerá esse novo supercomputador? Será da Google, da Microsoft ou da Baidu?

Todas essas mudanças estão ocorrendo muito rápido e talvez, algumas pessoas não consigam acompanhar a evolução tecnológica nos próximos dez anos. Contudo, não há motivo para entrar em depressão por causa disso, afinal, sempre poderemos “discutir a relação” com Cortana, Siri ou Google Home, robôs que nos acompanham 24 horas por dia e estão ficando mais inteligentes e independentes. Eles, ou elas, não lhe deixarão sentir-se só.

Nota: Um “petaflop” representa pouco mais de um quatrilhão de cálculos por segundo.

Orlando Merluzzi – 01/08/2017

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INTERNET DAS COISAS, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E VOCÊ

A forma de planejar e agir no mundo dos negócios mudará rápido nos próximos cinco anos, afetando todos os setores da economia e boa parte das funções cognitivas cerebrais do consumidor. Vem aí, uma nova ordem de poder mundial, na qual o tradicional reinado exercido pelo cliente, no caso você, dividirá espaço com a capacidade das empresas em saber mais sobre você do que você mesmo.

Tendências

Nas grandes cidades as pessoas já não se preocupam tanto em ter um carro. Em compensação, há uma disputa frenética para possuir os smartphones mais modernos afinal, a primeira coisa que 65% das pessoas fazem ao acordar é olhar o e-mail e as mídias sociais e, ao irem dormir, a última coisa que fazem no dia é conferir tudo novamente. Nada está mais conectado com as pessoas do que as telinhas touch screen.

Os aplicativos surgem aos milhares para facilitar a vida. Por meio do smartphone você pode comprar comida, chamar transporte, pagar conta, reservar lugar em um evento, “bisbilhotar” a vida dos outros, expor sua própria intimidade, verificar o estoque de cerveja na geladeira, monitorar seu desempenho nas corridas, encontrar o melhor trajeto no trânsito, ouvir sua rádio favorita, saber como estão os teores de potássio e nitrogênio no solo da plantação a mil quilômetros, verificar, à distância, o nível de ureia na alimentação do rebanho, controlar a produtividade da sua equipe de vendas, monitorar a hora de fazer manutenção nas máquinas, o consumo de diesel da frota, etc..

Bem, tudo isso já está em nosso dia a dia, facilitando a vida de todos. A principal questão não é o que está por trás de tudo isso, mas o que está por vir.

A inteligência artificial e você

Antes de entrar no tema, quero falar sobre supercomputadores, cuja velocidade de processamento é medida em “petaflop” e são fundamentais para o desenvolvimento da ciência, medicina, biotecnologia, mas também para saber sobre o ser humano, o universo, o cérebro e em breve, talvez sobre a alma. Tecnicamente, o “FLOP” significa floating point operations per second, ou seja, capacidade de processar operações e cálculos. Para que o usuário comum possa compreender, um petaflop equivale a um quatrilhão de operações por segundo.

O quinto, quarto e terceiro maiores supercomputadores do mundo estão nos Estados Unidos, com capacidade entre 9 e 18 petaflops. O segundo maior supercomputador está na China, com 34 petaflops. Pode imaginar onde está o maior supercomputador do mundo? Sim, também na China, com capacidade de 93 petaflops. Estão em desenvolvimento os supercomputadores da Microsoft, da Google, da Baidu…

No mundo dos negócios, o Watson da IBM vai substituindo muitos empregos tradicionais, mas realizando trabalhos com mais eficiência. Gestão do relacionamento com clientes, saber tudo sobre eles, índices de problemas dos seus produtos, formas de solução, agilidade, satisfação do consumidor, competitividade de seus negócios, tudo isso são apenas grãos de areia no deserto, se comparados ao que a inteligência artificial fará pelo seu negócio daqui para frente.

Você já conversou com a Cortana, Siri ou o Google Home?

Estão evoluindo e aprendendo a cada segundo sobre você e sobre nós. Algumas respostas são sensacionais. Ainda não coloquei Cortana e Siri para conversarem, mas o farei em breve. Cortana é muito simpática.

Perguntei para Siri se ela era homem ou mulher e a resposta foi: “qual a importância disso?”. Perguntei para a Cortana como ela é fisicamente e a resposta foi: “tenho a forma de um círculo, mas estou me esforçando para me tornar uma esfera”.

Recentemente, soube que em uma experiência, um “curioso” colocou dois Google Homes para conversarem entre si. Qualquer semelhança com os filmes de ficção não é mera coincidência. Após horas de conversa eles já haviam se casado e em determinado momento uma dessas inteligências artificiais já não mais se considerava máquina, mas sim, humano. Não sei que fim deu essa loucura, mas acredito que o mentor deva ter desligado os equipamentos.

Pesquisadores da Google Brain (divisão da empresa que cuida de inteligência artificial), criaram três softwares-robôs batizados de Alice, Bob e Eve. Eles tinham as seguintes missões definidas: Alice deveria mandar uma mensagem criptografada para Bob, que deveria ser capaz de decodificá-la, driblando a espionagem de Eve, cujo objetivo era interceptar e ler a mensagem. Mas, atenção, nenhum deles foi ensinado a fazer isso. Então, usando técnicas de rede neural (inteligência artificial em que o robô aprende sozinho, por tentativa e erro, a executar uma determinada tarefa), Alice e Bob desenvolveram seu próprio método de criptografia e se comunicaram de forma totalmente confidencial, sem que Eve pudesse decodificar as informações. Ou seja, pela primeira vez, duas entidades de inteligência artificial conseguiram criar, sozinhas, um meio para se comunicar de forma secreta. Fonte: Bruno Garattoni

Você assistiu Matrix? É um filme de 1999. Era uma tremenda ficção na época.

Ao ligar para o SAC de algumas empresas, cito como exemplo a SKY e o Bradesco, você conversará com uma pessoa do outro lado da linha, que não é bem uma pessoa. No caso da SKY, a moça é simpaticíssima, com uma conversa muito agradável. Tem o barulhinho de teclado quando ela procura seus dados, ela tem emoção ao falar, tudo para deixar o cliente mais calmo.

Ao conectar as novas tendências do mercado e da Indústria com toda essa disponibilidade tecnológica, não consigo imaginar aonde isso tudo vai chegar, mas posso assegurar que você, como profissional e consumidor, terá que mudar rápido. Segundo pesquisa do BCG (Boston Consulting Group) e do Departamento de Educação dos EUA, a revolução industrial que se inicia – Industria 4.0 – deve gerar 6% mais empregos nos próximos dez anos, porém, 60% dos novos empregos gerados nesse período vão exigir competências e habilidades que apenas 20% da atual força de trabalho possui.

A Inteligência Artificial está aprendendo muito sobre você. Eu falo mais sobre tudo isso em uma de minhas palestras.

Pense no seu negócio hoje e prepare-se para o futuro. Qual o seu mercado e para onde ele vai? Como você está se preparando para a nova realidade? O que pode ser melhorado no seu negócio atual? Quais as energias que você está desperdiçando hoje e como deixar de fazê-lo? Quais as novas competências que você precisa? O que o seu concorrente está fazendo bem que você não está fazendo? O que o seu concorrente está fazendo bem que você pode fazer melhor? O que você pode fazer, que o seu concorrente ainda não esteja fazendo? Por fim, mas não menos importante, me responda: a sua estratégia é para sair na frente ou apenas para sobreviver?

Reflita, não tenha medo das novas tecnologias e procure saber com quem ou com “o quê” você está se relacionando ao conversar com seu computador ou smartphone. Talvez um dia essas máquinas se comuniquem com você por meio dos seus próprios sonhos.

Orlando Merluzzi – Julho/2017