A mobilidade inteligente pode significar menos vendas futuras no setor automotivo. Um dilema.

Desenvolver a mobilidade inteligente, por enquanto, está só no campo das ideias, mas certamente o próximo nível passará por energia limpa, uso racional do espaço nas ruas, flexibilidade e conectividade. Veremos crescer os aplicativos de compartilhamento, prestação de serviços e modelos autossustentáveis de produção de energia.

Se tudo isso vingar é possível que, daqui a algumas décadas, a indústria automobilística produza e venda menos carros. Será que a megatendência no setor automotivo trará, como consequência, um modelo de autodestruição?

Note que, só estou falando de coisas concretas, não de veículos autônomos.

O veículo da foto representa um modelo de mobilidade inteligente, o qual acredito ser viável em breve, tão logo as baterias solid state estejam implementadas.

Cada vez mais as pessoas demandarão menos carros e mais transporte de qualidade, menos poluidores e mais amigos do meio-ambiente, mais sistemas como o “Yellow”, mais ônibus, mais metrôs, mais trens, mais compartilhamento, menor deslocamento até o trabalho, veículos menores e menos ociosos. As novas gerações, a partir da Geração Z, trocarão os carros próprios por redes públicas de wi-fi com altíssima velocidade, outras prioridades. As necessidades mudarão em direção à Sociedade 5.0.

OM

Leia meu artigo sobre a Sociedade 5.0

Crédito de imagem 1: Toyota

Crédito de imagem 2: CyclingPromotion/Australia

A Sociedade 5.0, a Indústria 4.0 e o Brasil com 40 anos de atraso

por: Orlando Merluzzi

Por que o Brasil está tão distante da implantação dos novos conceitos tecnológicos na indústria, na prestação de serviços e na sociedade?

A extensão 4.0 virou moda e sinônimo de algo muito moderno. A culpa é dos alemães, que têm a irritante mania de planejar corretamente para médio e longo prazos e, ainda por cima, fazer o planejamento acontecer como previsto. Foram eles que inventaram em 2011 a Indústria 4.0 a partir de um plano estratégico para posicionar a Alemanha em 2020. Os chineses já copiaram também essa virtude alemã e lançaram um plano de dez anos chamado “Made in China 2025”, para fazer o país ser um líder global em tecnologia da informação, transporte, geração de energia limpa, biomedicina e até máquinas agrícolas.

No Brasil a moda do 4.0 tem sido utilizada em larga escala como ferramenta de propaganda. Há uma certa confusão de conceitos. O fato da empresa possuir um elevado índice de conectividade, com gestão a distância, sistemas nas nuvens e equipamentos de última geração não faz a atividade ser 4.0.

De modo bem simples vou explicar o conceito da Indústria 4.0, sem entrar em detalhes de engenharia e processos. Após 230 anos de evolução industrial, desde a primeira fase de mecanização a vapor na Inglaterra em 1780, a quarta revolução foi desenhada em 2010 na Alemanha, numa parceria entre a indústria, a universidade pesquisadora e o governo. O objetivo era colocar o país, em 2020, como líder em manufatura por meio da alta tecnologia e então, a Indústria 4.0 foi anunciada oficialmente em Hannover, em 2011.

Trata-se de uma enorme integração de processos, homem, máquina, realidade virtual e intelecto.

A Indústria 4.0 é bem maior do que a Manufatura 4.0. Enquanto a primeira engloba toda a cadeia logística, desde o supply chain até o cliente final, passando pelo chão de fábrica, distribuição das etapas de produção e a descentralização da gestão, a Manufatura 4.0 consiste na inteligência e controle do processo produtivo. Ambas estão ancoradas nos mesmos pilares fundamentais: computação nas nuvens, internet das coisas, robotização, inteligência artificial, conectividade, mobilidade, big data e segurança de dados. As máquinas podem ser independentes, controlar umas às outras, identificar anomalias no processo produtivo e tomar decisões autônomas. Há fábricas que operam sem a presença do homem e dessa forma, nem precisam de iluminação ambiente, pois fazem tudo no escuro.

Uma entre as principais características da Indústria 4.0 é a necessidade de a empresa redesenhar o seu próprio modelo de negócios, ofertando um novo serviço de valor agregado como produto. Uma grande montadora pode entregar ao cliente o serviço de mobilidade e transporte por meio de aplicativos e não, necessariamente, fazer a operação com um veículo de sua própria marca. Você conseguiria imaginar, por exemplo, a Ford oferecendo um serviço de transporte com um carro da GM, por meio de um aplicativo gerenciado em Mumbai? Esse não é um exemplo de Indústria 4.0, mas é um bom exemplo de redesenho do modelo de negócios.

A descentralização da gestão na Indústria 4.0 é uma das barreiras para o Brasil entrar nesse jogo, pois o conceito verdadeiro requer liberdade de fronteiras e baixa burocracia.

A Sociedade 5.0

Subindo mais um degrau na escala evolutiva o Japão apresentou em 2016 o conceito da Sociedade Super Inteligente (Super Smart Society 5.0), que utiliza toda essa evolução tecnológica para beneficiar a sociedade e resolver seus problemas por meio da incorporação da quarta revolução industrial a uma avançada e disciplinada cultura. Assim, a sociedade em um futuro próximo consolidará valores e desenvolverá serviços que tornem melhor a vida das pessoas, mais sustentável e adaptável. A previsão é para que a Sociedade 5.0 ofereça soluções para o envelhecimento, longevidade humana, cura de doenças extremas, previsões e soluções de catástrofes, mobilidade personalizada, infraestrutura e a consolidação das fintechs – o dinheiro será virtual e até o conceito de “riqueza” vai mudar. Devolver os movimentos para quem os perdeu e reduzir a dependência física na mobilidade, ter drones e robôs como membros da família e criar uma nova definição para o termo “velhice”.

Uma antecipação da sociedade super inteligente, nos dias de hoje, pode ser atribuída às criptomoedas que, na forma atual, ainda encontram-se em fase embrionária, mas é uma tendência inevitável.

Você não pode questionar a globalização ou a internet, no máximo poderá discutir os seus efeitos. A mesma coisa vai acontecer com as criptomoedas e até mesmo com o sistema de segurança blockchain, de forma que você não poderá concordar ou discordar deles, mas poderá desenvolver longas teses acadêmicas e filosóficas sobre suas consequências na sociedade.

Por quê 5.0?

A extensão 5.0 considera que a sociedade já superou três fases evolutivas e vivemos hoje a sociedade 4.0 (a era da informação). As três primeiras foram: a sociedade caçadora-coletora e nômade (sociedade 1.0); a sociedade agrária e organizada em estados (sociedade 2.0); a sociedade da produção em massa e do consumo (sociedade 3.0).

A Indústria 4.0 coloca o domínio da máquina no centro de tudo e a Sociedade 5.0 vai recolocar o Homem no centro dos processos.

O que acontece com o Brasil e quais os riscos?

Começando pelos riscos, são muitos e nossas deficiências, intermináveis. Elas tornam-se barreiras ainda difíceis de transpor.

A Indústria 4.0 nasceu a partir de um plano para manter o país competitivo e líder ao longo do tempo e para isso empresários, governo, sistema financeiro e a academia alinharam-se em torno de um objetivo comum. Uma das causas do sucesso da Indústria 4.0 na Alemanha é que o conceito se aplica também às pequenas e médias empresas, com financiamento, capacitação e seriedade de gestão. Rapidamente os países de primeiro mundo abraçaram esse conceito. Europa, Estados Unidos e Ásia estão agora em um caminho sem volta.

Toda essa tecnologia e desenvolvimento possui o respaldo de leis, fundos de financiamento e políticas governamentais suprapartidárias.

No Brasil, por enquanto, somente as grandes multinacionais estão efetivamente entrando no ambiente 4.0, pois trazem parte da evolução de suas matrizes. Não há financiamento acessível, muito menos plano governamental que proporcione previsibilidade para a Indústria Nacional.

As pequenas e médias empresas estão ainda mais distantes. Não há planos de rompimento das barreiras burocráticas nem tributárias. Não há plano concreto que elimine o atraso educacional no País.

As trocas de Governo e de linhas ideológicas derrubam acordos e fazem os programas setoriais parecerem colchas de retalhos.

Um bom exemplo é o Programa Inovar-Auto que, ao ser encerrado em dezembro de 2017 ainda possuía demandas estabelecidas em 2012 que não haviam sido regulamentadas.

Enquanto os países líderes avançam em passos largos para o desenvolvimento tecnológico na indústria automobilística, seja no carro elétrico ou autônomo, o Programa Rota 2030 continua patinando e permanece nas incertezas do Planalto Central. Assim, o grande risco é o Brasil estagnar no ambiente “3.X” enquanto o mundo salta novos obstáculos. O País vai ficando para trás e essa distância só será percebida daqui a alguns anos, quando apenas a nossa vocação de produtor agrícola e extrator mineral for reconhecida como fator de competitividade.

Imagine o quanto estaremos distantes de uma Sociedade 5.0, pois ela engloba, além da integração tecnológica, os aspectos culturais. O Japão pode sonhar com essa nova sociedade, afinal, um povo que visita nosso país, assiste aos jogos de futebol nos estádios daqui e ao final da partida limpam e recolhem todo lixo que produziram nas arquibancadas, também nos aplicou outro sete a um, além da Alemanha.

A Indústria 4.0 e a Sociedade 5.0 trazem ao mundo o perigo de uma segregação ainda maior entre os países desenvolvidos, os países em desenvolvimento e os países a desenvolver e o Brasil corre o risco de cair para a “Série C” desse campeonato.

Cabe a nós, pensadores corporativos, alertar para essa catástrofe e para isso nem é preciso robôs ou inteligência artificial. Basta uma greve de caminhoneiros por uma semana para expor toda fragilidade e ausência de planos contingenciais para desobstruir as artérias da economia e de nosso desenvolvimento. Isso, no mínimo, afasta os investidores por muito tempo.

Entende agora, por que o risco de ficarmos para trás?

Orlando Merluzzi – Junho/2018

 

É preciso cautela quanto ao deslumbre da moda 4.0

O fato de uma nova tecnologia ter um elevado grau de conectividade e gestão de dados não faz o setor ou segmento serem 4.0. Agora virou moda: Agropecuária 4.0, Medicina 4.0, Advogado 4.0, Educação 4.0, Comércio 4.0, Padaria 4.0… A própria Indústria ou Manufatura ainda não chegaram a esse nível e estão nos 3,6 a 3,8. As pessoas confundem as coisas ou aproveitam-se da oportunidade, dependendo do ponto de vista.

O conceito do 4.0 envolve logística e suply chain sem barreiras e no Brasil, o que mais há são barreiras.

#PensamentoCorporativo

Resultados da Pesquisa: A Inteligência Artificial e as Novas Tecnologias

MA8 Management Consulting acaba de divulgar uma pesquisa inédita sobre:

Inteligência Artificial e o impacto das novas tecnologias na sua vida – o que as pessoas conhecem a respeito e quais as suas expectativas.

Durante um mês, 930 pessoas participaram da pesquisa, que teve também a coordenação do editorial do blog Pensamento Corporativo.

Com objetivo de compreender a percepção das pessoas, quanto às tecnologias que já estão presentes em nosso dia a dia, as questões abordaram o conhecimento sobre o big data, assistentes virtuais, substituição de profissões e empregos pela inteligência artificial, carros autônomos e até aviões elétricos.

Substituição do ser humano por robôs, profissões que estão em risco com a chegada das novas tecnologias, benefícios para a humanidade na área da biomedicina e biociência,  confiança nas criptomoedas e muito mais.

Acesse o link abaixo ou na imagem acima para fazer o download da pesquisa em PDF e pedimos a gentileza de observar as regras de direitos autorais em caso de divulgação e utilização dos resultados, mencionando sempre a fonte.

 

Pesquisa 2018 – Inteligência Artificial e Novas Tecnologias

As dez marcas mais valiosas do mundo. Who is next?

Periodicamente, as agências de pesquisa e avaliação de Marcas emitem relatórios definindo um valor para cada marca no mercado. As principais agências seguem metodologia própria e algumas estabelecem parâmetros que tornam-se referências. Muitos ainda confundem o valor de uma marca com o valor do negócio em si. São coisas bem diferentes e não se calcula o valor de uma marca pelo método do fluxo de caixa descontado.

Minha análise hoje não entra em fórmulas ou conceitos. Quero chamar atenção para a movimentação das marcas em consonância com as novas tendências tecnológicas, em valor e em percepção na mente do consumidor.

Preste atenção no gráfico e tente compreender o que ele nos diz.

É fácil identificar que as empresas de tecnologia assumiram as seis primeiras posições em 2017, segundo o mais recente relatório BrandZ publicado pela WPP e Kantar Millward Brown. Extraí, propositalmente, do gráfico, os valores em bilhões de dólares estabelecidos para cada marca, pois o que me interessa nessa análise é a “dança das marcas” nos últimos anos e o que podemos esperar para os próximos cinco ou dez anos.

Tendências:

Entre as dez marcas mais valiosas do mundo em 2017, oito delas atuam no segmento de tecnologia, agora englobando a inteligência artificial e a internet das coisas, além das telecomunicações. Ao olharmos para o ano de 2007, apenas quatro entre as dez primeiras marcas mais valiosas do mundo eram do segmento de tecnologia, sendo que o foco era softwareinternet e telecom.

Outra análise que impressiona, segundo os critérios da BrandZ é que as cinco primeiras marcas mais valiosas em 2017, a saber: Google, Apple, Microsoft, Amazon e Facebook, valem juntas, hoje, 890 bilhões de dólares, mas em 2007, essas mesmas marcas valiam juntas, apenas 152 bilhões de dólares.

Como imaginar esse quadro daqui a alguns anos?

Indústria 4.0, gestão global descentralizada, energia limpa, veículos que não emitem ruído do motor e nenhuma partícula poluente, conectividade, carros autônomos e empresas com frotas de veículos virtuais, redes hoteleiras sem possuir, fisicamente, um único quarto de hotel, supercomputadores que farão a medicina diagnóstica com maior precisão a milhares de quilômetros de distância do paciente, o Watson da IBM que substitui advogados, médicos, engenheiros e corretores de imóveis, fazendas de geração de energia instaladas no mar, e tantas outras evoluções que, para nenhum espanto, já existem hoje.

Quais as empresas que estarão entre as “Top 10” no ano de 2022? Quantas delas serão chinesas? Quantos “petaflops” de capacidade de processamento terá o maior supercomputador do mundo, ultrapassando os atuais 93 petaflops do Sunway Taihulight chinês? A quem pertencerá esse novo supercomputador? Será da Google, da Microsoft ou da Baidu?

Todas essas mudanças estão ocorrendo muito rápido e talvez, algumas pessoas não consigam acompanhar a evolução tecnológica nos próximos dez anos. Contudo, não há motivo para entrar em depressão por causa disso, afinal, sempre poderemos “discutir a relação” com Cortana, Siri ou Google Home, robôs que nos acompanham 24 horas por dia e estão ficando mais inteligentes e independentes. Eles, ou elas, não lhe deixarão sentir-se só.

Nota: Um “petaflop” representa pouco mais de um quatrilhão de cálculos por segundo.

Orlando Merluzzi – 01/08/2017

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