A construção da “confiança” no ambiente corporativo

O processo de construção e solidificação da CONFIANÇA passa por vários níveis atitudinais, comportamentais, conceituais e um nível moral.

No livro Potência Corporativa, transformando o clima organizacional e a adrenalina em resultados para a organização, publicado no início de 2017, construí esse cenário para a compreensão do Círculo da Potência Corporativa, que tem como “pano de fundo” a Confiança e uma parte do que sustenta a tese central da obra está descrita no quadro acima.

A confiança é como uma taça de cristal: se trincar pode ainda servir para tomar água, mas nunca mais deixará de ser uma taça de cristal trincada.

Observe os níveis da escalada da confiança no ambiente profissional. É um processo longo, função do tempo, que envolve elementos característicos das pessoas em relações sociais, familiares e corporativas.

Tudo o que afeta o clima organizacional impacta diretamente na Potência Corporativa.

Orlando Merluzzi

A Sociedade 5.0, a Indústria 4.0 e o Brasil com 40 anos de atraso

por: Orlando Merluzzi

Por que o Brasil está tão distante da implantação dos novos conceitos tecnológicos na indústria, na prestação de serviços e na sociedade?

A extensão 4.0 virou moda e sinônimo de algo muito moderno. A culpa é dos alemães, que têm a irritante mania de planejar corretamente para médio e longo prazos e, ainda por cima, fazer o planejamento acontecer como previsto. Foram eles que inventaram em 2011 a Indústria 4.0 a partir de um plano estratégico para posicionar a Alemanha em 2020. Os chineses já copiaram também essa virtude alemã e lançaram um plano de dez anos chamado “Made in China 2025”, para fazer o país ser um líder global em tecnologia da informação, transporte, geração de energia limpa, biomedicina e até máquinas agrícolas.

No Brasil a moda do 4.0 tem sido utilizada em larga escala como ferramenta de propaganda. Há uma certa confusão de conceitos. O fato da empresa possuir um elevado índice de conectividade, com gestão a distância, sistemas nas nuvens e equipamentos de última geração não faz a atividade ser 4.0.

De modo bem simples vou explicar o conceito da Indústria 4.0, sem entrar em detalhes de engenharia e processos. Após 230 anos de evolução industrial, desde a primeira fase de mecanização a vapor na Inglaterra em 1780, a quarta revolução foi desenhada em 2010 na Alemanha, numa parceria entre a indústria, a universidade pesquisadora e o governo. O objetivo era colocar o país, em 2020, como líder em manufatura por meio da alta tecnologia e então, a Indústria 4.0 foi anunciada oficialmente em Hannover, em 2011.

Trata-se de uma enorme integração de processos, homem, máquina, realidade virtual e intelecto.

A Indústria 4.0 é bem maior do que a Manufatura 4.0. Enquanto a primeira engloba toda a cadeia logística, desde o supply chain até o cliente final, passando pelo chão de fábrica, distribuição das etapas de produção e a descentralização da gestão, a Manufatura 4.0 consiste na inteligência e controle do processo produtivo. Ambas estão ancoradas nos mesmos pilares fundamentais: computação nas nuvens, internet das coisas, robotização, inteligência artificial, conectividade, mobilidade, big data e segurança de dados. As máquinas podem ser independentes, controlar umas às outras, identificar anomalias no processo produtivo e tomar decisões autônomas. Há fábricas que operam sem a presença do homem e dessa forma, nem precisam de iluminação ambiente, pois fazem tudo no escuro.

Uma entre as principais características da Indústria 4.0 é a necessidade de a empresa redesenhar o seu próprio modelo de negócios, ofertando um novo serviço de valor agregado como produto. Uma grande montadora pode entregar ao cliente o serviço de mobilidade e transporte por meio de aplicativos e não, necessariamente, fazer a operação com um veículo de sua própria marca. Você conseguiria imaginar, por exemplo, a Ford oferecendo um serviço de transporte com um carro da GM, por meio de um aplicativo gerenciado em Mumbai? Esse não é um exemplo de Indústria 4.0, mas é um bom exemplo de redesenho do modelo de negócios.

A descentralização da gestão na Indústria 4.0 é uma das barreiras para o Brasil entrar nesse jogo, pois o conceito verdadeiro requer liberdade de fronteiras e baixa burocracia.

A Sociedade 5.0

Subindo mais um degrau na escala evolutiva o Japão apresentou em 2016 o conceito da Sociedade Super Inteligente (Super Smart Society 5.0), que utiliza toda essa evolução tecnológica para beneficiar a sociedade e resolver seus problemas por meio da incorporação da quarta revolução industrial a uma avançada e disciplinada cultura. Assim, a sociedade em um futuro próximo consolidará valores e desenvolverá serviços que tornem melhor a vida das pessoas, mais sustentável e adaptável. A previsão é para que a Sociedade 5.0 ofereça soluções para o envelhecimento, longevidade humana, cura de doenças extremas, previsões e soluções de catástrofes, mobilidade personalizada, infraestrutura e a consolidação das fintechs – o dinheiro será virtual e até o conceito de “riqueza” vai mudar. Devolver os movimentos para quem os perdeu e reduzir a dependência física na mobilidade, ter drones e robôs como membros da família e criar uma nova definição para o termo “velhice”.

Uma antecipação da sociedade super inteligente, nos dias de hoje, pode ser atribuída às criptomoedas que, na forma atual, ainda encontram-se em fase embrionária, mas é uma tendência inevitável.

Você não pode questionar a globalização ou a internet, no máximo poderá discutir os seus efeitos. A mesma coisa vai acontecer com as criptomoedas e até mesmo com o sistema de segurança blockchain, de forma que você não poderá concordar ou discordar deles, mas poderá desenvolver longas teses acadêmicas e filosóficas sobre suas consequências na sociedade.

Por quê 5.0?

A extensão 5.0 considera que a sociedade já superou três fases evolutivas e vivemos hoje a sociedade 4.0 (a era da informação). As três primeiras foram: a sociedade caçadora-coletora e nômade (sociedade 1.0); a sociedade agrária e organizada em estados (sociedade 2.0); a sociedade da produção em massa e do consumo (sociedade 3.0).

A Indústria 4.0 coloca o domínio da máquina no centro de tudo e a Sociedade 5.0 vai recolocar o Homem no centro dos processos.

O que acontece com o Brasil e quais os riscos?

Começando pelos riscos, são muitos e nossas deficiências, intermináveis. Elas tornam-se barreiras ainda difíceis de transpor.

A Indústria 4.0 nasceu a partir de um plano para manter o país competitivo e líder ao longo do tempo e para isso empresários, governo, sistema financeiro e a academia alinharam-se em torno de um objetivo comum. Uma das causas do sucesso da Indústria 4.0 na Alemanha é que o conceito se aplica também às pequenas e médias empresas, com financiamento, capacitação e seriedade de gestão. Rapidamente os países de primeiro mundo abraçaram esse conceito. Europa, Estados Unidos e Ásia estão agora em um caminho sem volta.

Toda essa tecnologia e desenvolvimento possui o respaldo de leis, fundos de financiamento e políticas governamentais suprapartidárias.

No Brasil, por enquanto, somente as grandes multinacionais estão efetivamente entrando no ambiente 4.0, pois trazem parte da evolução de suas matrizes. Não há financiamento acessível, muito menos plano governamental que proporcione previsibilidade para a Indústria Nacional.

As pequenas e médias empresas estão ainda mais distantes. Não há planos de rompimento das barreiras burocráticas nem tributárias. Não há plano concreto que elimine o atraso educacional no País.

As trocas de Governo e de linhas ideológicas derrubam acordos e fazem os programas setoriais parecerem colchas de retalhos.

Um bom exemplo é o Programa Inovar-Auto que, ao ser encerrado em dezembro de 2017 ainda possuía demandas estabelecidas em 2012 que não haviam sido regulamentadas.

Enquanto os países líderes avançam em passos largos para o desenvolvimento tecnológico na indústria automobilística, seja no carro elétrico ou autônomo, o Programa Rota 2030 continua patinando e permanece nas incertezas do Planalto Central. Assim, o grande risco é o Brasil estagnar no ambiente “3.X” enquanto o mundo salta novos obstáculos. O País vai ficando para trás e essa distância só será percebida daqui a alguns anos, quando apenas a nossa vocação de produtor agrícola e extrator mineral for reconhecida como fator de competitividade.

Imagine o quanto estaremos distantes de uma Sociedade 5.0, pois ela engloba, além da integração tecnológica, os aspectos culturais. O Japão pode sonhar com essa nova sociedade, afinal, um povo que visita nosso país, assiste aos jogos de futebol nos estádios daqui e ao final da partida limpam e recolhem todo lixo que produziram nas arquibancadas, também nos aplicou outro sete a um, além da Alemanha.

A Indústria 4.0 e a Sociedade 5.0 trazem ao mundo o perigo de uma segregação ainda maior entre os países desenvolvidos, os países em desenvolvimento e os países a desenvolver e o Brasil corre o risco de cair para a “Série C” desse campeonato.

Cabe a nós, pensadores corporativos, alertar para essa catástrofe e para isso nem é preciso robôs ou inteligência artificial. Basta uma greve de caminhoneiros por uma semana para expor toda fragilidade e ausência de planos contingenciais para desobstruir as artérias da economia e de nosso desenvolvimento. Isso, no mínimo, afasta os investidores por muito tempo.

Entende agora, por que o risco de ficarmos para trás?

Orlando Merluzzi – Junho/2018

 

É preciso cautela quanto ao deslumbre da moda 4.0

O fato de uma nova tecnologia ter um elevado grau de conectividade e gestão de dados não faz o setor ou segmento serem 4.0. Agora virou moda: Agropecuária 4.0, Medicina 4.0, Advogado 4.0, Educação 4.0, Comércio 4.0, Padaria 4.0… A própria Indústria ou Manufatura ainda não chegaram a esse nível e estão nos 3,6 a 3,8. As pessoas confundem as coisas ou aproveitam-se da oportunidade, dependendo do ponto de vista.

O conceito do 4.0 envolve logística e suply chain sem barreiras e no Brasil, o que mais há são barreiras.

#PensamentoCorporativo

Curling, o novo queridinho do mundo corporativo

O Mundo Corporativo tem muita coisa em comum com o Curling. O ambiente desse esporte pode ser utilizado, na íntegra, em programas de desenvolvimento de recursos humanos, lideranças, estratégias, comportamento de equipe e muito mais.

Neste mês, um em cada quatro brasileiros acompanhou, de alguma forma, algum jogo ou evento das olimpíadas de inverno na Coréia do Sul. Difícil dizer em qual modalidade viciei-me mais e como a festa acabou nesta madrugada, já estou vivendo a síndrome de abstinência dos jogos sobre o gelo.

Vários elementos necessários para alcançar o sucesso no ambiente dos negócios estão presentes no Curling, uma atividade esportiva ainda desconhecida para os brasileiros.

Veja o vídeo e saiba mais sobre a relação entre o Ambiente Corporativo e o Curling. 

Aumente o som porque a trilha sonora é Megadeth.

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As dez marcas mais valiosas do mundo. Who is next?

Periodicamente, as agências de pesquisa e avaliação de Marcas emitem relatórios definindo um valor para cada marca no mercado. As principais agências seguem metodologia própria e algumas estabelecem parâmetros que tornam-se referências. Muitos ainda confundem o valor de uma marca com o valor do negócio em si. São coisas bem diferentes e não se calcula o valor de uma marca pelo método do fluxo de caixa descontado.

Minha análise hoje não entra em fórmulas ou conceitos. Quero chamar atenção para a movimentação das marcas em consonância com as novas tendências tecnológicas, em valor e em percepção na mente do consumidor.

Preste atenção no gráfico e tente compreender o que ele nos diz.

É fácil identificar que as empresas de tecnologia assumiram as seis primeiras posições em 2017, segundo o mais recente relatório BrandZ publicado pela WPP e Kantar Millward Brown. Extraí, propositalmente, do gráfico, os valores em bilhões de dólares estabelecidos para cada marca, pois o que me interessa nessa análise é a “dança das marcas” nos últimos anos e o que podemos esperar para os próximos cinco ou dez anos.

Tendências:

Entre as dez marcas mais valiosas do mundo em 2017, oito delas atuam no segmento de tecnologia, agora englobando a inteligência artificial e a internet das coisas, além das telecomunicações. Ao olharmos para o ano de 2007, apenas quatro entre as dez primeiras marcas mais valiosas do mundo eram do segmento de tecnologia, sendo que o foco era softwareinternet e telecom.

Outra análise que impressiona, segundo os critérios da BrandZ é que as cinco primeiras marcas mais valiosas em 2017, a saber: Google, Apple, Microsoft, Amazon e Facebook, valem juntas, hoje, 890 bilhões de dólares, mas em 2007, essas mesmas marcas valiam juntas, apenas 152 bilhões de dólares.

Como imaginar esse quadro daqui a alguns anos?

Indústria 4.0, gestão global descentralizada, energia limpa, veículos que não emitem ruído do motor e nenhuma partícula poluente, conectividade, carros autônomos e empresas com frotas de veículos virtuais, redes hoteleiras sem possuir, fisicamente, um único quarto de hotel, supercomputadores que farão a medicina diagnóstica com maior precisão a milhares de quilômetros de distância do paciente, o Watson da IBM que substitui advogados, médicos, engenheiros e corretores de imóveis, fazendas de geração de energia instaladas no mar, e tantas outras evoluções que, para nenhum espanto, já existem hoje.

Quais as empresas que estarão entre as “Top 10” no ano de 2022? Quantas delas serão chinesas? Quantos “petaflops” de capacidade de processamento terá o maior supercomputador do mundo, ultrapassando os atuais 93 petaflops do Sunway Taihulight chinês? A quem pertencerá esse novo supercomputador? Será da Google, da Microsoft ou da Baidu?

Todas essas mudanças estão ocorrendo muito rápido e talvez, algumas pessoas não consigam acompanhar a evolução tecnológica nos próximos dez anos. Contudo, não há motivo para entrar em depressão por causa disso, afinal, sempre poderemos “discutir a relação” com Cortana, Siri ou Google Home, robôs que nos acompanham 24 horas por dia e estão ficando mais inteligentes e independentes. Eles, ou elas, não lhe deixarão sentir-se só.

Nota: Um “petaflop” representa pouco mais de um quatrilhão de cálculos por segundo.

Orlando Merluzzi – 01/08/2017

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Frases famosas cujo autor não recebeu o devido crédito. Algumas, nem foram ditas.

Qual efeito dessa cultura na sociedade e no mundo corporativo?

“Quem conta um conto aumenta um ponto”. Essa frase não é de Clarisse Lispector, nem de Monteiro Lobato, mas é quase perfeita. O famoso telefone sem fio, a conversa de corredor, o “boi na linha”. Imagine que muitas frases de efeito, que você certamente já repetiu ou então ouviu (uma ou outra), nunca foram ditas por seus supostos autores e algumas, sequer foram pronunciadas. São fantasias e acabamos acreditando e propagando. Tanto faz se a conversa ocorreu na lanchonete “Boca Maldita” ou na “maldita boca da internet”, que propaga “fakes” com a mesma velocidade que muda a página para uma nova estória.

A internet não é a única culpada. Muitas citações erradas ou maldosas já causaram grandes estragos no passado, imbróglios diplomáticos e até decapitação, quando não havia internet e nem telefone.

Atire a primeira pedra quem nunca pensou que fossem verdadeiras as mistificações abaixo:

“Os fins justificam os meios”

Essa famosa frase nunca foi dita por Nicoló Machiavelli em sua obra O Príncipe, oferecida a Lorenzo de Medici, com segundas intenções. Alguém resumiu os pensamentos do autor e distorceu aquilo que não pode ser resumido em uma única frase. Talvez, o trecho que mais se aproxime disso no livro está no final do Capítulo 18: “Procure, pois, um príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo…”

“Tudo que pode dar errado, vai dar errado” ou, “Se algo pode dar errado, dará”

Major Edward Alvar Murphy Jr. (falecido em 1990) era engenheiro aeroespacial e uma citação sua, mal interpretada ou difundida erroneamente, deu origem à famosa Lei de Murphy. Ele nunca disse aquilo. Na realidade, cruzando a informação de George Nichols (engenheiro presente no teste em 1949) com a entrevista do filho de Murphy, Robert, a frase correta foi: “Se houver mais de uma maneira de fazer um trabalho e uma dessas maneiras puder resultar em um desastre, então ele fará dessa maneira”, referindo-se de forma pouco tolerante ao assistente técnico que provocou a falha em um importante teste aeronáutico.

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”

Não, a frase nunca foi dita por Albert Einstein e nem por Benjamin Franklin. A autoria dessa frase, até aqui é desconhecida.

“Todo mundo é um gênio, mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, vai gastar toda a sua vida acreditando que ele é estúpido”

Essa frase também não foi dita por Albert Einstein. Não há tal registro oficial.

“Mulheres bem-comportadas, raramente fazem história”

Mais uma frase de efeito, dessa vez atribuída à Marilyn Monroe, mas, também não é dela, embora combinasse perfeitamente com a loira. A frase, na verdade é da historiadora Laurel Thatcher Ulrich.

“Não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”

Não se desaponte, mas Voltaire nunca disse essa frase. Originalmente aparece no livro The Friends of Voltaire, de 1906, onde a biógrafa Evelyn Beatrice Hall tenta resumir o pensamento do filósofo iluminista.

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

Não há registro crível dessa famosa frase atribuída a Charles Darwin, mas há muitos autores de auto-ajuda que utilizam nomes de famosos para dar credibilidade aos seus discursos.

“Se não têm pão, que comam brioches”

Essa famosíssima frase também foi creditada para a pessoa errada. Em sua autobiografia, Jean-Jacques Rousseau afirmou que uma princesa ficou conhecida por dizer a frase “Se o povo não tem pão, que coma brioche”. Porém, quando Rousseau escreveu suas “Confissões”, Maria Antonieta tinha entre 12 e 14 anos. É mais provável que ele estivesse se referindo a Maria Teresa de Espanha, que teria dito a famosa frase, cem anos antes.

“Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”

O autor dessa pérola é desconhecido. Certamente, não foi Eça de Queiroz e nem Benjamin Franklin, que disseram tal frase. Eu apostaria em Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, pois a frase tem o “jeitão” dele.

“A genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”

Se você pensa que essa é mais uma frase de efeito do genial Albert Einstein, desculpe-me, mas não é. A frase foi dita por Thomas Edison.

“O Brasil não é um país sério”.

Charles de Gaulle nunca disse isso, oficialmente. No início da década de 1960, Brasil e França entraram em conflito diplomático por causa de divergências quanto à pesca de crustáceos (também conhecido como Guerra da Lagosta). Foi nesse contexto que o francês Charles de Gaulle teria dito: “O Brasil não é um país sério”. Contudo, quem difamou o próprio país foi o embaixador brasileiro Carlos Alves de Souza, ao sair de uma reunião com de Gaulle e pronunciar a frase aos jornalistas. O próprio de Gaulle desmentiu isso posteriormente, sem muito sucesso, pois até hoje há jornalistas brasileiros que citam a frase, com crédito ao ex-presidente francês, como se estivessem presentes naquela reunião em 1962, no Palácio do Eliseu.

E o mundo corporativo com isso?

História ou folclore, há uma grande quantidade de frases e citações desmistificadas em websites críveis para verificação de autenticidade, mas a reflexão para esses casos de propagação indevida deve ser estendida às nossas vidas em sociedade e no mundo corporativo, afinal, os elementos das inter-relações pessoais que deterioram o clima organizacional – e sobre os quais comento bastante em meu livro Potência Corporativa, recém lançado pela Editora Pensamento Corporativo Ltda – independem da mídia social para serem equivocadamente ou maldosamente propagados. 

A extraordinária reputação de um profissional pode ser construída sob os alicerces da competência e uma excelente assessoria de imprensa, mas, também pode ser prejudicada por quem conta um conto e aumenta um ponto e, como diz o provérbio, “há quatro coisas que, após lançadas, não voltam atrás: a flecha, a palavra pronunciada, a oportunidade perdida e as penas ao vento”. Em tempo, esse não é um provérbio chinês, nem árabe.

A internet ou aquele “cantinho da fofoca” no ambiente corporativo, não são culpados por aspectos comportamentais. No máximo, a internet é “o meio” e o cantinho do café, apenas uma desculpa.

Orlando Merluzzi