Há vagas para empreendedores, falta emprego para profissionais.

O cenário mudou e não voltará a ser como antes. O emprego tradicional, como conhecíamos, praticamente acabou. O índice de desemprego, medido pelo CAGED, deve recuar nos próximos anos, mas os postos serão, majoritariamente, preenchidos por subempregos e subsalários, não necessariamente nessa ordem.

Desempregados, diplomados e mal pagos

Recente pesquisa coordenada pelo Portal do Pensamento Corporativo, junto a quatro universidades conceituadas de engenharia, identificou que 50% dos recém-formados demoram até um ano para conseguir o primeiro emprego e 70% dos empregos iniciais oferecem salários entre R$ 1.900,00 e R$ 2.800,00.

Será que vale a pena cursar uma faculdade tradicional durante cinco anos, para se sujeitar a uma situação como essa? Por outro lado, como ser incluído no mercado de trabalho, fora da “vala dos comuns”, sem um diploma de curso superior?

As pessoas precisam compreender o novo mundo. O emprego que permitia prosperidade acabou, o que restará são empregos de subsistência, salvo raras exceções.

Jovens com muito talento conseguem se destacar profissionalmente ao longo dos anos, seja em um emprego tradicional (se o empregador for uma empresa sólida), seja empreendendo e criando o seu próprio negócio. A questão é que, a definição de “jovens talentosos” também mudou e a régua está subindo a cada ano. Grandes empresas, ao contratar para vagas administrativas ou técnicas, exigem qualificações e preparo, inalcançáveis para 90% da população. Diploma superior, três idiomas fluentes, sendo o Português, Inglês e mais um (eu disse fluentes) e alguma vivência internacional, abrem o primeiro capítulo da série: como entrar no novo mercado de trabalho e sentir-se frustrado em pouco tempo.

Grandes profissionais disponíveis com mais de 50

De forma antagônica, profissionais super experientes, com todas as qualificações acima e energia de sobra, mas com idade acima de cinquenta anos, disponíveis no mercado, enfrentam o mesmo dilema.

O que pergunto é: que nível de sociedade profissional e empreendedora queremos ter para um país que estacionou na fronteira entre o terceiro mundo e o mundo desenvolvido?

Vende-se conhecimento, pague-me se puder

Esse não pode ser o lema de um país com tantos cérebros brilhantes envoltos em depressão e frustração. As grandes organizações privadas no Brasil precisam fazer mais do que manterem incubadoras de startups, se quiserem assegurar o seu próprio futuro.

Há algum tempo tenho feito aconselhamento de carreira no Linkedin e noto, com angústia, que a grande maioria das pessoas querem um emprego ou um headhunter com um estoque de oportunidades e vagas nas mãos, mas não querem alguém que lhes ajude a colocar as ideias em ordem.

Se você fizer uma busca nas vagas de emprego oferecidas no próprio Linkedin verá que, em menos de 24 horas, as oportunidades atingem milhares de candidatos interessados, ou seja, nem mesmo os recrutadores conseguirão identificar os melhores candidatos em tal situação, dedicando sete segundos de análise por currículo enviado. Portanto, minha recomendação, nesse caso é: não se iluda muito.

Procure entender o novo mundo, adequar suas expectativas, redefinir objetivos de vida e ambições. A partir daí, é possível traçar um bom planejamento de carreira profissional, mas considere que, empreender pode ser a primeira grande porta de saída de uma situação desconfortável.

A busca pela “felicidade” é um ótimo tema para os gurus da automotivação, que, em alguns casos, salvo exceções, são autoempreendedores da ilusão. Para quem está desempregado, seja recém-formado ou um profissional experiente e qualificado com mais de cinquenta anos de idade, a “felicidade” é ter uma perspectiva profissional e receita que lhe garantam dignidade e autoestima. Depois disso, pode-se avançar para os próximos capítulos do livro.

 

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